Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

O BARROCO DA IGREJA DE SÃO FRANCISCO XAVIER EM NAZARÉ DA MATA

Na década de 1940 o IPHAN reconhecia a importância da Capela do Engenho Bonito em Nazaré da Mata entronizada a São Francisco Xavier. Quando vivo Francisco Xavier havia criado junto com Inácio de Loyola a Companhia de Jesus que marcou a formação católica especialmente do Brasil durante a Colônia. Nas terras do Engenho Bonito, de propriedade dos Jesuítas no século XVII, construíram uma capela que ruiu ao longo do período da colonização, sendo reconstruído no século XVIII. Os estudos de arquitetura observam aquela propriedade como um exemplo do barroco joanino um pouco tardio chegando na zona da mata pernambucana. Sucessivas reparações e intervenções na estrutura criaram o cenário que é possível ser visto hoje no templo religioso: os traços barrocos foram adicionados em 1759 e no século XIX as pinturas do coro foram incluídas, pinturas do período joanino, suscitando um barroco João V marcado pela talha dourada e muitos elementos da fauna e da flora como destaca em estudo sobre o monumento Roseline Oliveira Machado.

Ter uma capela na propriedade colonial, além de ser uma necessidade para os familiares que residiam ali e costume das mentalidades religiosas do período em voga do usos das capelas também era uma forma de confirmar a religiosidade dos clãs da açucarocracia esquivando-se de alguma denunciação ou perseguição por parte dos instrumentos coloniais de repressão portuguesa. A capela também era uma ferramenta poderosa para o controle do sagrado e das mentalidades nas pequenas unidades administrativas. Muitas dessas capelas eram ornadas de tudo mais caro que fosse possível acrescentar para projetar um poder que já era figurava simbolicamente e materialmente para os moradores e outros engenhos abastados ou não. 

É claro que muitas capelas não eram tão ornadas, o que muitas tinham eram altares simples, de alvenaria as vezes ou de madeira quando investiam nas policromias e entalhamentos. Na zona da Mata, nos interiores como Paudalho e Nazaré algumas capelas e igreja ostentavam gostos culturais oriundos dos ideais europeus replicado aqui um barroco tropical, não o barroco mineiro, mas o barroco que misturava as mentalidades da localidade já tardiamente. Os embelezamentos desses monumentos ficava a cargo de artesãos que reproduziam com maestria símbolos e insígnias tal qual as encomendas. Mota Menezes quando fez aula em Vicência acerca das edificações dos bens reconhecidos como patrimônio alertou para alguns exemplares terem características parecidas, ele dizia que quando o dono da propriedade se interessava por algum outros objeto ornado e rico como se vê no Bonito ele chamava alguém que soubesse fazer igual e copiava as técnicas para sua propriedade dando ares de nobreza e prestígio entre seus pares. 

Assim a Capela de São Francisco Xavier projeta-se como uma joia do barroco rural na zona da mata norte ereta no período em que estava em voga o neoclassicismo e as correntes românticas. É reconhecida, portanto, como a capela mais rica do interior pelas suas talhas douradas e entalhamentos do altar-mor. As volutas e os ornamentos das tribunas só reforçam a nobreza, mesmo o externo da capela não tenha essa característica barroca. Do lado de fora da capela o campanário revela sutil beleza num frontão que esconde o telhado em duas águas. visualmente observando da casa-grande o engenho a capela parece continuar cumprindo seu papel de ponto estratégico de onde não apenas rezava-se, mas vigiava-se a vida dos engenhos; o lugar de corriqueiros segredos ditos ao capelão que poderia soprar no ouvido dos proprietários as tramas que eram confessadas na sacristia. 

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