O engenho Iguape é uma propriedade rural que foi desmembrada do Engenho Poço Comprido no século XIX. É composto por uma casa, um terreiro de secar café bem como armazenamento abaixo da varanda. Corre o riacho que nomeia a propriedade, o Iguapé; O Engenho fica na frente da casa e o acesso é por meio de estrada carroçável.
Apesar de ter um partido de cana interessante, era comum nesses engenhos não só moer sua produção mas contribuir com o trabalho de propriedades menos abastadas, pois alguns plantadores de cana menores não tinham condições de montar uma fábrica por demandar capital e muitas vezes os bancos ou capitalistas da época dispunha desses sistemas de crédito.
Apesar de ser um engenho de açúcar, o Iguapé tinha um engenho de farinha, casas de trabalhadores e bodega e plantou café, toda a região plantava então o proprietário da época investiu. O registro como testemunha é o terreiro de secagem do café que ainda é possível identificar como já foi mencionado. Mas Iguape não se limita a apenas aos processos econômicos, os enredos políticos do Vale do Siriji também passam pela biografia do engenho. O seu fundador, o Flávio Pessoa Guerra, filho da prole dos Guerra de Poço Comprido se estabeleceu como liderança política promovendo alianças com outros oligarcas da região e ampliando suas estratégias de controlar não só a economia local como já fazia toda a sua família, mas também interferir nas alianças que pudesse alçá-lo aos destaques das disputas estaduais.
Após a queda da monarquia no Brasil esses velhos redutos políticos da nobreza de massapê logo buscou se conectar e mudar suas rotas. O que estava em jogo era manter o status que eles tinham no governo imperial e poder dar suas cartadas nas decisões que iriam surgir no novo regime. Pernambuco entrou em ebulição e disputa política numa carreira pela cadeira do governo. Entre 1890 a 1892 muitos foram nomeados, por eleição só Barbosa Lima que assume o poder. Entre os governante muitos deles tinham ligações com a oligarquia goianense que se espalhava pelo Siriji como os Correia de Oliveira, Correia de Araújo, Os Melo e os Guerra. A família de Flávio sempre esteve no ciclo do poder e durante os primeiros anos da república eles protagonizaram uma disputa política muito importante na nossa história que envolvia alianças para depor o domínio de Rosa e Silva na política no estado. Rosa e Silva era apoiado pelos senhores de Engenho e Usineiros, tinha uma ramificação muito poderosa na Mata Pernambucana e outra facção política eram os correligionários de Dantas Barreto, um militar veterano da Guerra do Paraguai e que havia conseguido conexões com outros militares e arregimentar insatisfeitos com as políticas do interior protagonizadas pela parte oligarca que era apoiada pelo então dono do Jornal Diário de Pernambuco o Rosa e Silva.
Foi uma campanha bastante disputada e que alçou a família Guerra para o centro da discussão quando no Engenho Iguape decidiram por apoiar Dantas Barreto que fora vitorioso nas eleições de 1911, não sem antes acontecer os conflito e marchas para o interior. Na região do Siriji muitos dentistas se organizaram militar e socialmente para apoiar o candidato que lutava contra o poderoso Rosa e Silva. Rosistas e Dantista promoveram o que João Alfredo dos Anjos chamou de Revolução Pernambucana de 1911.
Lauro Neves Calábria, quando proprietário de Iguape sempre se orgulhava de uma dessas decisões políticas ter partido daquele engenho que no início do século XX era, assim como outros, uma peça importante no quebra-cabeça das políticas que se organizaram para mudar de posição a fim de se manterem no mesmo lugar.


