Você sabia que a região da Mata Norte Pernambucana era cortada por ferrovias que transportavam pessoas e mercadorias? Partindo de Recife os trens de passageiros foram avançando para o interior durante o reinado de Pedro II, na década de 1850. Os ramais dos troncos norte foram implementados aos poucos ao longo do século XIX sob a gerência da empresa inglesa Great Western que recebeu a concessão para construção da Estrada de Ferro Recife Limoeiro.
As estradas na época eram poucas e de baixa qualidade. As mulas faziam o transporte das mercadorias que atravessavam a mata e atingiam os centros econômicos. Entre as décadas de 1850 e 1880 houve um grande investimento estrangeiro no Império brasileiro e o norte agrário com Pernambuco pulsante buscando se modernizar e estruturar economicamente o escoamento da produção açucareira. A Estrada de Limoeiro rasgou o norte do Estado de Pernambuco atingindo Floresta dos Leões que passou a ser Chã do Carpina. As ferrovias eram cobiçadas pelos senhores de engenhos que viviam fazendo solicitação para que a empresa inglesa passasse pelas suas propriedades criando conexões com os velhos banguês. O jornal de Pernambuco noticiava atas com nomes dos proprietários exigindo concessões para terem o privilégio de estender ramais dos troncos principais.
Timbaúba, a cidade da zona da mata que cresceu sob a exploração dos partidos de cana, do plantio de algodão e dos ideais maçônicos despontou no século XIX como uma cidade nucleada onde escolas, fábricas, usinas, sinalizava progresso e protagonismo na região. Timbaúba chegou a ter um território quase como Nazaré da Mata. São Vicente Férrer e Macaparana já pertenceram a essa cidade. Cinema, lojas, escolas confessionais, arrojo político com eleição de governadores e deputados emolduraram a cidade num quadro luxuoso de opulência. O couro também fez da cidade uma referência. A soma desses avanços fizeram de Timbaúba uma cidade que receberia uma estação ferroviária.
Antes do Ramal de Timbaúba os moradores iam pegar o trem em Pureza, estação inaugurada em 1883 que foi imortalizada no romance Pureza de José Lins do Rego. Quem quiser conhecer sobre pureza basta olhar o romance, tem dados interessantes sobre horários, costumes e saberes. Em 1888, ano da abolição da escravidão foi inaugurada a estação ferroviária daquela cidade abrindo o escoamento dos produtos produzidos na cidade.
A Great Western foi substituída pela Rede Ferroviária Federal que passou a administrar a estrada de ferro até o momento que os trilhos descarrilaram as máquinas que atravessavam os partidos de cana em direção à cidade do couro e do açúcar. Timbaúba e sua ferrovia ficaram esquecidas e ainda tem certo silêncio que necessita de olhares mais críticos sobre como era o tempo do trem e quais conexões eram realizadas durante as idas e vindas das locomotivas. Nas impressões de Sydney Correa a Estação ainda pode ser utilizada pela sua qualidade e espaço propício para funcionar um órgão público.
A restauração e salvaguarda desses bens são importantes para a construção da memória local e um testemunho em que a região pode ainda funcionar com uma malha ferroviária que viabiliza maior mobilidade e escoamento da produção bem como uma alternativa o transporte de pessoas


