Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

USINA ALIANÇA – A MEMÓRIA DA INDUSTRIALIZAÇÃO NO VALE DO SIRIJI

As famílias abastadas do Vale do Siriji quando perceberam o declínio dos engenhos banguês em relação a competitividade das usinas que já eram uma realidade desde o século XIX em Goiana e adjacências cuidaram de equipar suas fábricas com as melhores máquinas possíveis. Investir na modernização das máquinas para melhorar a produção salvaria qualquer unidade fabril do açúcar do processo de fechamento de ciclos que esses engenhos estavam prestes a entrar. Primeiro investiram na importação de maquinários da Inglaterra que chegavam nesses engenhos por meio das ferrovias que cortavam a mata norte e a partir de lá vinha pelas juntas de boi. As juntas eram uma estratégia adotada em que dois ou três animais robustos faziam o trabalho pesado e puxar esses maquinários densos para o interior pelas estradas de barro que muitas vezes eram de péssima qualidade. Ao chegar nesses engenhos o maquinário a vapor era instalado credenciando aquele lugar ao “clube” dos engenhos modernos. 

Em Aliança muitos engenhos passaram por essa modificação. Abandonavam o método mais arcaico e moroso – os banguês –  e adotavam as dinâmicas engrenagens de ferro que com auxílio do vapor entregavam resultados até então inimagináveis. A segunda revolução industrial mudava o mundo e transformava aos poucos os velhos modelos de “feudos” na zona da mata. No começo do século XX Aliança já tinham engenhos a vapor, um pouco mais tarde, em 1914, no ano da Primeira Guerra, foi fundada pela Firma Pessoa e Melo & Cia representado pela família dos Pessoa de Melo com foco no Coronel Luiz Ignácio Pessoa de Melo em sociedade com outros capitalistas e investidores. A Aliança dispunha de ferrovia própria e uma eclusa que aproveitava o Rio Siriji para resfriar as caldeiras. Diferentemente dos engenhos, a quantidade de água que chegava na fábrica e os rejeitos que eram devolvidos no Siriji causavam danos ambientais impactantes na fauna ictiológica. 

Várias transformações foram implementadas como uma maneira de sistematizar o trabalho dos operários. Para isso foi construída uma vila para esse objetivo. O planejamento incluía Igreja Católica, casas amplas para moradores mais destacados e casas menores  para operários menos graduados. Além desse arruado fabril era necessário também uma escola para que pudesse pedagogizar todos os corpos expostos na dinâmica da educação para o trabalho focado nas gerações futuras. 

Para a época, a moderna Usina Aliança simbolizava o triunfo do progresso contra o atraso dos decadentes engenhos puxados a burros e parcas propriedades movidas a água. Modernizava-se as fábricas como um espelho para o futuro do trabalho na zona canavieira mas se mantinha o método dos trabalhos forçados alusivos a escravidão. 

Ao longo de seu processo capital, a Usina desmanchou diversos engenhos para servir-lhe como fornecedores. O avanço técnico da Aliança marcou uma era de desenvolvimento econômico no Vale do Siriji sendo surgindo mais duas fábricas, a Barra (1920/21) e a Usina Laranjeiras (1959). Falida em 1997 o que restou da usina espera um olhar para sua patrimonialização e sua inclusão nos roteiros pedagógicos e culturais que circulam a zona da mata norte do Estado. 

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