Podcast a nossa historia nossa memoria https://nossahistorianossamemoria.com.br Podcast a nossa historia nossa memoria Fri, 06 Mar 2026 15:12:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 USINA ALIANÇA – A MEMÓRIA DA INDUSTRIALIZAÇÃO NO VALE DO SIRIJI https://nossahistorianossamemoria.com.br/usina-alianca-a-memoria-da-industrializacao-no-vale-do-siriji/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/usina-alianca-a-memoria-da-industrializacao-no-vale-do-siriji/#respond Fri, 06 Mar 2026 15:03:44 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=801 As famílias abastadas do Vale do Siriji quando perceberam o declínio dos engenhos banguês em relação a competitividade das usinas que já eram uma realidade desde o século XIX em Goiana e adjacências cuidaram de equipar suas fábricas com as melhores máquinas possíveis. Investir na modernização das máquinas para melhorar a produção salvaria qualquer unidade fabril do açúcar do processo de fechamento de ciclos que esses engenhos estavam prestes a entrar. Primeiro investiram na importação de maquinários da Inglaterra que chegavam nesses engenhos por meio das ferrovias que cortavam a mata norte e a partir de lá vinha pelas juntas de boi. As juntas eram uma estratégia adotada em que dois ou três animais robustos faziam o trabalho pesado e puxar esses maquinários densos para o interior pelas estradas de barro que muitas vezes eram de péssima qualidade. Ao chegar nesses engenhos o maquinário a vapor era instalado credenciando aquele lugar ao “clube” dos engenhos modernos. 

Em Aliança muitos engenhos passaram por essa modificação. Abandonavam o método mais arcaico e moroso – os banguês –  e adotavam as dinâmicas engrenagens de ferro que com auxílio do vapor entregavam resultados até então inimagináveis. A segunda revolução industrial mudava o mundo e transformava aos poucos os velhos modelos de “feudos” na zona da mata. No começo do século XX Aliança já tinham engenhos a vapor, um pouco mais tarde, em 1914, no ano da Primeira Guerra, foi fundada pela Firma Pessoa e Melo & Cia representado pela família dos Pessoa de Melo com foco no Coronel Luiz Ignácio Pessoa de Melo em sociedade com outros capitalistas e investidores. A Aliança dispunha de ferrovia própria e uma eclusa que aproveitava o Rio Siriji para resfriar as caldeiras. Diferentemente dos engenhos, a quantidade de água que chegava na fábrica e os rejeitos que eram devolvidos no Siriji causavam danos ambientais impactantes na fauna ictiológica. 

Várias transformações foram implementadas como uma maneira de sistematizar o trabalho dos operários. Para isso foi construída uma vila para esse objetivo. O planejamento incluía Igreja Católica, casas amplas para moradores mais destacados e casas menores  para operários menos graduados. Além desse arruado fabril era necessário também uma escola para que pudesse pedagogizar todos os corpos expostos na dinâmica da educação para o trabalho focado nas gerações futuras. 

Para a época, a moderna Usina Aliança simbolizava o triunfo do progresso contra o atraso dos decadentes engenhos puxados a burros e parcas propriedades movidas a água. Modernizava-se as fábricas como um espelho para o futuro do trabalho na zona canavieira mas se mantinha o método dos trabalhos forçados alusivos a escravidão. 

Ao longo de seu processo capital, a Usina desmanchou diversos engenhos para servir-lhe como fornecedores. O avanço técnico da Aliança marcou uma era de desenvolvimento econômico no Vale do Siriji sendo surgindo mais duas fábricas, a Barra (1920/21) e a Usina Laranjeiras (1959). Falida em 1997 o que restou da usina espera um olhar para sua patrimonialização e sua inclusão nos roteiros pedagógicos e culturais que circulam a zona da mata norte do Estado. 

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UM CEMITÉRIO PARA EVANGÉLICOS EM SIRIJI https://nossahistorianossamemoria.com.br/um-cemiterio-para-evangelicos-em-siriji/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/um-cemiterio-para-evangelicos-em-siriji/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:55:48 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=777 O cemitério em questão está localizado na antiga fazenda Cavunga, no distrito de Siriji e envolve a história social da religião cristã católica em confronto com o que chamavam no começo do século XX sobre os evangélicos, os nova Seita. No final do século XIX as novas perspectivas de progresso e de civilização recaíram também nos credos religiosos, pois muitos católicos migram para a fé protestante influenciados pelo discurso de prosperidade e um paraíso promissor de casas de ouro e ruas de cristal. Mas para isso deveria renunciar a este mundo. Em Moganga, antigo nome de Siriji, esse movimento de renovação incidiu na formação de templos clandestinos em casas de famílias tradicionais no vale do Siriji, os Correia de Oliveira que estavam na região desde o século XVIII. Eloy Correia de Oliveira rachou com a família e criou condições para uma nova congregação, a Batista. Esse caso repercutiu no seio dos Correia e também influenciou outros cidadãos de cidades adjacentes migrarem para esse novo núcleo formado em casas comuns, ainda sem templo próprio. 

Na primeira década do século passado os jornais davam notícias sobre os sucessíveis casos de agressão protagonizados pela onda de fanatismo levando praticantes dos “nova seita” a morte em casos de intolerância religiosa inflada por Celestino de Pedávoli e sua Liga Antiprotestante. Esse movimentos conservadores somados a ideias violentas alimentadas pelo fanatismo inflado por Celestino teve como consequência a criação de núcleos de combate ao protestantismo simbolicamente organizados nas unidades religiosas católicas. Divididos na vida também foram divididos na morte, no ato de morrer. Morrer envolve uma sequência simbólica de ritos para validar o corpo e o status desse morto, logo, se existe tamanho conflito que opõe as formas de crer os enterramentos também sofreram consequências na vila surgindo um espaço novo. No Sítio Cavunga, terra de Eloy Correia de Oliveira, foi construído um cemitério para esses novos sujeitos de fé. Os enterramentos que acontecem nesse novo espaço são todos ligados aos novos adeptos dessa religião cuja resistência havia culminado em mortes. Pelo livro de óbito da vila, a causa das mortes e os direcionamentos para o enterro no cemitério da Cavunga confirmam o tamanho das violências sociais existentes nos domínios da antiga Bom Jardim. 

Nos anos 50 e 60 as tensões entre os segmentos do cristianismo haviam apaziguado ao modo que o cemitério da comunidade passou a receber enterramentos mistos sem distinção de credo, mas o bem cultural remanescente dos tempos de apartamento permaneceu. Passou a ser um cemitério particular (já era de outra família) da família Andrade Lima. Atualmente é um bem histórico esquecido e esvaziado de sentidos sem a conexão necessária como os conflitos oriundos de um tempo de negação e segregação entre as duas correntes religiosas. 

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ONDE ESTÁ O PATRIMÔNIO AFRO PERNAMBUCANO? https://nossahistorianossamemoria.com.br/onde-esta-o-patrimonio-afro-pernambucano/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/onde-esta-o-patrimonio-afro-pernambucano/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:42:03 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=792 Na escrita da história única, o passado parece ser igual para um grupo socialmente construído como marginalizado. Negros e indígenas apareciam pouco no cenário de protagonismo social da nossa memória. Pernambuco, que foi uma capitania muito rica e desenvolvida e depois tornou-se uma província de projeção naciona com suas lideranças e revoltas foi uma das que mais recebeu escravizados durante a vigência desse negócio que era a escravidão mercantil. 

Em outro momento já citei que a chegada desses escravizados não significava abandono das tradições e costumes africanos, tampouco abandono da fé e das estratégias de sobrevivência num regime que era desumano e pouco interessado em enxergar os pretos como sujeitos donos de suas próprias histórias. Muitos foram levados ao castigo para negar sua fé, seus batuques e suas inteligências numa agenda totalmente comprometida com a economia acima de qualquer expressão humanista. 

Entretanto é preciso desmontar a história única e enxergar as influências dos africanos na história de Pernambuco em contextos diversos e independentes. A história única não favorece a visibilidade da resistência do povo tido marginalizado. Ela apenas confunde as narrativas e diminui a importância dos outros fatos. 

Ampliar a visão para enxergar nossas heranças culturais, que são muitas, devemos fazer um exercício de compreensão sobre os lugares que estamos inseridos. Na zona da Mata a cidade de Nazaré, Tracunhaém são duas amostras da força dos povos africanos na diáspora. Isso porque essas duas cidades somadas a outras da região foram uma espécie de recôncavo. Maracatus, Cavalos Marinhos, Olarias, Ateliês de pintura. Então o que a gente pode recortar aqui são pontos estratégicos onde podemos contar a história da gente acessando esses lugares. Primeiro que destaco aqui é o Cambinda Brasileira em Nazaré, o grupo tem mais de 100 anos tem hoje (2026) 108 anos de formação (1918), mas faz parte de uma memória ancestral que resistiu ao tempo e as imposições coloniais. O Cambinda está no Engenho Cumbe e foi reconhecido como Patrimônio Vivo pela sua trajetória. O segundo lugar é a Chã de Camará onde outro Maracatu já passa dos 50 anos, o Estrela Brilhante. Interessante perceber que esses dois pontos de cultura cresceram em lugares de repressão e domínio colonial. Andalaquituche criou o Museu das Tradições do Cavalo Marinho, criado em meio a Pandemia, inaugurado em 2020 e agrega os saberes da população negra da Mata Norte e lá você encontra a memória dos brincantes em respeitosa composição de fotografias e objetos. O Museu fica em Aliança.

Os quilombos de Vicência e de Goiana também são lugares que celebram a memória da população com suas respectivas lutas e conquistas pelo direito à vida e à terra. Trigueiros e São Lourenço em destacado processo de identidade propõem a reflexão diária sobre a necessidade de direitos à cidadania. Em Olinda a gente tem o Terreiro do Povo de Xambá, único no país e que Pai Ivo de Xambá lidera com muito compromisso e respeito aos orixás. E temos o terreiro sítio de Pai Adão, o Ilê Obá Ogunté, fundado em 1875. 

Os bois de Aliança, de Timbaúba, também celebram a história afro-brasileira a partir de seus roteiros de história e viva história. Os patrimônios culturais afro-brasileiros ainda são silenciados, mas o combate à história única é um exercício diário de tensionar as políticas públicas e dos recursos para a cultura e isso não se faz sozinho. 

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O RAMAL DE TIMBAÚBA E A MEMÓRIA FERROVIÁRIA NA MATA NORTE https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-ramal-de-timbauba-e-a-memoria-ferroviaria-na-mata-norte/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-ramal-de-timbauba-e-a-memoria-ferroviaria-na-mata-norte/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:39:12 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=793 Você sabia que a região da Mata Norte Pernambucana era cortada por ferrovias que transportavam pessoas e mercadorias? Partindo de Recife os trens de passageiros foram avançando para o interior durante o reinado de Pedro II, na década de 1850. Os ramais dos troncos norte foram implementados aos poucos ao longo do século XIX sob a gerência da empresa inglesa Great Western que recebeu a concessão para construção da Estrada de Ferro Recife Limoeiro. 

As estradas na época eram poucas e de baixa qualidade. As mulas faziam o transporte das mercadorias que atravessavam a mata e atingiam os centros econômicos. Entre as décadas de 1850 e 1880 houve um grande investimento estrangeiro no Império brasileiro e o norte agrário com Pernambuco pulsante buscando se modernizar e estruturar economicamente o escoamento da produção açucareira. A Estrada de Limoeiro rasgou o norte do Estado de Pernambuco atingindo Floresta dos Leões que passou a ser Chã do Carpina. As ferrovias eram cobiçadas pelos senhores de engenhos que viviam fazendo solicitação para que a empresa inglesa passasse pelas suas propriedades criando conexões com os velhos banguês. O jornal de Pernambuco noticiava atas com nomes dos proprietários exigindo concessões para terem o privilégio de estender ramais dos troncos principais. 

Timbaúba, a cidade da zona da mata que cresceu sob a exploração dos partidos de cana, do plantio de algodão e dos ideais maçônicos despontou no século XIX como uma cidade nucleada onde escolas, fábricas, usinas, sinalizava progresso e protagonismo na região. Timbaúba chegou a ter um território quase como Nazaré da Mata. São Vicente Férrer e Macaparana já pertenceram a essa cidade. Cinema, lojas, escolas confessionais, arrojo político com eleição de governadores e deputados emolduraram a cidade num quadro luxuoso de opulência. O couro também fez da cidade uma referência. A soma desses avanços fizeram de Timbaúba uma cidade que receberia uma estação ferroviária. 

Antes do Ramal de Timbaúba os moradores iam pegar o trem em Pureza, estação inaugurada em 1883 que foi imortalizada no romance Pureza de José Lins do Rego. Quem quiser conhecer sobre pureza basta olhar o romance, tem dados interessantes sobre horários, costumes e saberes. Em 1888, ano da abolição da escravidão foi inaugurada a estação ferroviária daquela cidade abrindo o escoamento dos produtos produzidos na cidade. 

A Great Western foi substituída pela Rede Ferroviária Federal que passou a administrar a estrada de ferro até o momento que os trilhos descarrilaram as máquinas que atravessavam os partidos de cana em direção à cidade do couro e do açúcar. Timbaúba e sua ferrovia ficaram esquecidas e ainda tem certo silêncio que necessita de olhares mais críticos sobre como era o tempo do trem e quais conexões eram realizadas durante as idas e vindas das locomotivas. Nas impressões de Sydney Correa a Estação ainda pode ser utilizada pela sua qualidade e espaço propício para funcionar um órgão público. 

A restauração e salvaguarda desses bens são importantes para a construção da memória local e um testemunho em que a região pode ainda funcionar com uma malha ferroviária que viabiliza maior mobilidade e escoamento da produção bem como uma alternativa o transporte de pessoas 

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O ENGENHO IGUAPE E A MEMÓRIA POLÍTICA DE PERNAMBUCO https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-engenho-iguape-e-a-memoria-politica-de-pernambuco/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-engenho-iguape-e-a-memoria-politica-de-pernambuco/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:33:44 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=789 O engenho Iguape é uma propriedade rural que foi desmembrada do Engenho Poço Comprido no século XIX. É composto por uma casa, um terreiro de secar café bem como armazenamento abaixo da varanda. Corre o riacho que nomeia a propriedade, o Iguapé; O Engenho fica na frente da casa e o acesso é por meio de estrada carroçável. 

Apesar de ter um partido de cana interessante, era comum nesses engenhos não só moer sua produção mas contribuir com o trabalho de propriedades menos abastadas, pois alguns plantadores de cana menores não tinham condições de montar uma fábrica por demandar capital e muitas vezes os bancos ou capitalistas da época dispunha desses sistemas de crédito. 

Apesar de ser um engenho de açúcar, o Iguapé tinha um engenho de farinha, casas de trabalhadores e bodega e plantou café, toda a região plantava então o proprietário da época investiu. O registro como testemunha é o terreiro de secagem do café que ainda é possível identificar como já foi mencionado. Mas Iguape não se limita a apenas aos processos econômicos, os enredos políticos do Vale do Siriji também passam pela biografia do engenho. O seu fundador, o Flávio Pessoa Guerra, filho da prole dos Guerra de Poço Comprido se estabeleceu como liderança política promovendo alianças com outros oligarcas da região e ampliando suas estratégias de controlar não só a economia local como já fazia toda a sua família, mas também interferir nas alianças que pudesse alçá-lo aos destaques das disputas estaduais. 

Após a queda da monarquia no Brasil esses velhos redutos políticos da nobreza de massapê logo buscou se conectar e mudar suas rotas. O que estava em jogo era manter o status que eles tinham no governo imperial e poder dar suas cartadas nas decisões que iriam surgir no novo regime. Pernambuco entrou em ebulição e disputa política numa carreira pela cadeira do governo. Entre 1890 a 1892 muitos foram nomeados, por eleição só Barbosa Lima que assume o poder. Entre os governante muitos deles tinham ligações com a oligarquia goianense que se espalhava pelo Siriji como os Correia de Oliveira, Correia de Araújo, Os Melo e os Guerra. A família de Flávio sempre esteve no ciclo do poder e durante os primeiros anos da república eles protagonizaram uma disputa política muito importante na nossa história que envolvia alianças para depor o domínio de Rosa e Silva na política no estado. Rosa e Silva era apoiado pelos senhores de Engenho e Usineiros, tinha uma ramificação muito poderosa na Mata Pernambucana e outra facção política eram os correligionários de Dantas Barreto, um militar veterano da Guerra do Paraguai e que havia conseguido conexões com outros militares e arregimentar insatisfeitos com as políticas do interior protagonizadas pela parte oligarca que era apoiada pelo então dono do Jornal Diário de Pernambuco o Rosa e Silva. 

Foi uma campanha bastante disputada e que alçou a família Guerra para o centro da discussão quando no Engenho Iguape decidiram por apoiar Dantas Barreto que fora vitorioso nas eleições de 1911, não sem antes acontecer os conflito e marchas para o interior. Na região do Siriji muitos dentistas se organizaram militar e socialmente para apoiar o candidato que lutava contra o poderoso Rosa e Silva. Rosistas e Dantista promoveram o que João Alfredo dos Anjos chamou de Revolução Pernambucana de 1911. 

Lauro Neves Calábria, quando proprietário de Iguape sempre se orgulhava de uma dessas decisões políticas ter partido daquele engenho que no início do século XX era, assim como outros, uma peça importante no quebra-cabeça das políticas que se organizaram para mudar de posição a fim de se manterem no mesmo lugar.

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O BARROCO DA IGREJA DE SÃO FRANCISCO XAVIER EM NAZARÉ DA MATA https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-barroco-da-igreja-de-sao-francisco-xavier-em-nazare-da-mata/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-barroco-da-igreja-de-sao-francisco-xavier-em-nazare-da-mata/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:31:12 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=786 Na década de 1940 o IPHAN reconhecia a importância da Capela do Engenho Bonito em Nazaré da Mata entronizada a São Francisco Xavier. Quando vivo Francisco Xavier havia criado junto com Inácio de Loyola a Companhia de Jesus que marcou a formação católica especialmente do Brasil durante a Colônia. Nas terras do Engenho Bonito, de propriedade dos Jesuítas no século XVII, construíram uma capela que ruiu ao longo do período da colonização, sendo reconstruído no século XVIII. Os estudos de arquitetura observam aquela propriedade como um exemplo do barroco joanino um pouco tardio chegando na zona da mata pernambucana. Sucessivas reparações e intervenções na estrutura criaram o cenário que é possível ser visto hoje no templo religioso: os traços barrocos foram adicionados em 1759 e no século XIX as pinturas do coro foram incluídas, pinturas do período joanino, suscitando um barroco João V marcado pela talha dourada e muitos elementos da fauna e da flora como destaca em estudo sobre o monumento Roseline Oliveira Machado.

Ter uma capela na propriedade colonial, além de ser uma necessidade para os familiares que residiam ali e costume das mentalidades religiosas do período em voga do usos das capelas também era uma forma de confirmar a religiosidade dos clãs da açucarocracia esquivando-se de alguma denunciação ou perseguição por parte dos instrumentos coloniais de repressão portuguesa. A capela também era uma ferramenta poderosa para o controle do sagrado e das mentalidades nas pequenas unidades administrativas. Muitas dessas capelas eram ornadas de tudo mais caro que fosse possível acrescentar para projetar um poder que já era figurava simbolicamente e materialmente para os moradores e outros engenhos abastados ou não. 

É claro que muitas capelas não eram tão ornadas, o que muitas tinham eram altares simples, de alvenaria as vezes ou de madeira quando investiam nas policromias e entalhamentos. Na zona da Mata, nos interiores como Paudalho e Nazaré algumas capelas e igreja ostentavam gostos culturais oriundos dos ideais europeus replicado aqui um barroco tropical, não o barroco mineiro, mas o barroco que misturava as mentalidades da localidade já tardiamente. Os embelezamentos desses monumentos ficava a cargo de artesãos que reproduziam com maestria símbolos e insígnias tal qual as encomendas. Mota Menezes quando fez aula em Vicência acerca das edificações dos bens reconhecidos como patrimônio alertou para alguns exemplares terem características parecidas, ele dizia que quando o dono da propriedade se interessava por algum outros objeto ornado e rico como se vê no Bonito ele chamava alguém que soubesse fazer igual e copiava as técnicas para sua propriedade dando ares de nobreza e prestígio entre seus pares. 

Assim a Capela de São Francisco Xavier projeta-se como uma joia do barroco rural na zona da mata norte ereta no período em que estava em voga o neoclassicismo e as correntes românticas. É reconhecida, portanto, como a capela mais rica do interior pelas suas talhas douradas e entalhamentos do altar-mor. As volutas e os ornamentos das tribunas só reforçam a nobreza, mesmo o externo da capela não tenha essa característica barroca. Do lado de fora da capela o campanário revela sutil beleza num frontão que esconde o telhado em duas águas. visualmente observando da casa-grande o engenho a capela parece continuar cumprindo seu papel de ponto estratégico de onde não apenas rezava-se, mas vigiava-se a vida dos engenhos; o lugar de corriqueiros segredos ditos ao capelão que poderia soprar no ouvido dos proprietários as tramas que eram confessadas na sacristia. 

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O ACERVO DA CASA GRANDE DO ENGENHO JUNDIÁ – VICÊNCIA. https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-acervo-da-casa-grande-do-engenho-jundia-vicencia/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/o-acervo-da-casa-grande-do-engenho-jundia-vicencia/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:28:48 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=783 O Engenho Jundiá é berço de um intérprete do Brasil, o Manuel Correia de Andrade que nasceu em 1922 e escreveu o nordeste e suas impressões sobre a região do Siriji. Fundado no final do século XVIII Jundiá passou por diversos donos sendo o primeiro o Ventura Dias de Sá que tinha esse engenho entre seus bens. Só no século XIX Manuel Correia, avô do geógrafo, adquiriu parte significativa da propriedade, permanecendo até os dias de hoje. Dos equipamentos a gente encontra toda a estrutura do que se espera de uma fábrica colonial para fabricação do açúcar e a paisagem cultural que é cortada pelo Teitanduba. Próximo ao casarão construído em 1900 uma imponente Sapucaia recebe os visitantes testemunhando o desmatamento da mata Atlântica para a cultura açucareira. 

Na casa de purgar as madeiras que foram usadas para as tábuas de furo para as formas é de Sapucaia Rosa, abundante na região antes do advento do “progresso” açucareiro. Do mesmo engenho foi tirado também madeira para a reforma da casa em estilo Chalé. Por ser um museu reconhecido pelo IBRAM o programa de visita a casa-museu deve ser agendado e a mediação é feita por Dona Zélia César, atual proprietária que com interesse em destacar os feitos da família Correia faz um tour pelo casarão mostrando os móveis, quadros e relatando muitas curiosidades.

O acervo da casa está em exposição permanente, tudo preservado como se estivéssemos no começo do século XX e revela os gostos de uma família abastada vivendo no Vale do Siriji. A mobília Austríaca ricamente trabalhada orna os corredores e as salas de jantar: Cadeiras, mesas de centro, camas. O berço das crianças, a banheira de Seu João de Jundiá junto a roupas infantis. Nas paredes muito registro da história local. Em destaque as indulgências que a família comprou nas santas missões pela região. 

Na sala de estar os quadros dos antigos proprietários estão em destaque, são quadros que foram aumentados com as tecnologias da fotografia. A turma de Joaquim Correia de Andrade está na parede como um testemunho do antigo proprietário formado pela renomada Faculdade de Direito do Recife. 

Na condução da visita a casa por Dona Zélia os relatos sobre o morar, o viver e o servir são mostrados pelos tachos de doce guardados, pelos conjuntos de xícaras e porcelanas europeias guardados na cristaleira austríaca. As fronhas e as toalhas de mesa, ricamente bordados pela dona da casa despertam a curiosidade dos visitantes. Além de chamar a atenção para a qualidade do morar ali, cada objeto remonta a história da cidade, pois por muito tempo os líderes políticos de Vicência residiram ali. De tal modo que a Casa 14, ao lado da Matriz da cidade foi um investimento do Joaquim Correia mostrando poder econômico da casa na cidade como em Sobrados e Mocambos, quando o senhor do engenho passa a ter uma residência nos pontos mais efervescentes da localidade para poder flanar e se atualizar dos gostos e interesses das mais variadas naturezas de assuntos. 

Relógios do ano de 1881 do tempo do casamento de Manuel Correia de Andrade o pai de Joaquim Correia, ainda funciona por meio das cordas, bonecas de porcelana estão preservados com o intuito de mostrar os costumes da infância. 

No Jundiá é possível contemplar a Igreja de Santa Joana D’Arc construída por causa de uma promessa contra os reacionários do golpe de 1930 que tocaram fogo em engenhos da região por conta de rivalidade entre liberais e conservadores e o dono do engenho Jundiá que fugiu para preservar a vida, prometeu se a propriedade não fosse atacada construíram uma igreja em intenção a revolucionária francesa. 

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MULHERES DE FIBRAS – AS MESTRAS QUE TECEM ARTE EM SÃO VICENTE FÉRRER https://nossahistorianossamemoria.com.br/mulheres-de-fibras-as-mestras-que-tecem-arte-em-sao-vicente-ferrer/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/mulheres-de-fibras-as-mestras-que-tecem-arte-em-sao-vicente-ferrer/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:22:42 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=780 Na terra de Marinês, as mulheres sempre destacaram seus papeis e definiram suas rotas no mundo do trabalho e na vida social do Brejo vicentino. A cidade que um dia se fez economicamente com o café teve mãos femininas na colheita dos grãos, no transporte do produto e no beneficiamento quando chegava na fábrica. Esse deslocamento das mulheres no campo da agricultura rompe diretamente com o discurso de uma história única que elas não trabalhavam. Quando damos um zoom na história dessas pessoas entendemos a origem dessa mentalidade que proibia a mulher trabalhar mas que majoritariamente eram outras mulheres que garantiam o funcionamento da casa e dos partidos de café, de cana e de algodão, outro produto cultivado nas terras de São Vicente Férrer. 

Os plantios de Café foram declinando e o ciclo cafeeiro foi sendo substituído pelo crescente investimento na Banana. As mulheres e homens que trabalhavam no eito para garantir o sustento, e principalmente elas que dividiam o campo com a casa e seus papeis em casa e na família, movimentaram e protagonizaram essa transição. A nossa história, marcada por canetas masculinas contornou pouco o protagonismo feminino na cena social vicentina. Os registros poucos de mulheres desenvolvendo atividades criativas no campo da cultura local dá conta apenas desse espaço ser predominante no campo da fé e das festividades populares com as cirandas, os cocos, os catimbós e com pouco destaque no século XX, nas artes plásticas. 

Marinês é um exemplo desse despontar tardio para São Vicente enquanto o país inteiro cantava “pisa na fulô” projetando de “Marinês e sua Gente” na cena musical do país, colocando-a como rainha do Xaxado. Nascida na Chã do Esquecido somente nos anos 2010 que políticas culturais do município de São Vicente mediadas pelo então Secretário de Cultura o Professor Kléber Henrique que surgiu essa biografia marcada por luta e história que conta história nas suas músicas. Marinês recebe todos que chegam a cidade como uma estátua marcada pela luta incansável do seu povo por direito a cultura. 

Outra trama que sai do anonimato graças a luta de mulheres em coletivo é a cooperativa que transforma o produto descartado após a colheita da Banana para criar peças a partir da fibra da bananeira, colhida, beneficiada e transformada em arte pela Fio e Renda, uma cooperativa instalada na Rua João Pessoa, dirigido por Fátima, uma artesã que movimenta a cidade com sua liderança inspiradora e comprometida com a justiça social e equidade de direitos. No Fio e Renda elas aprendem não só a tratar a fibra da bananeira mas criar condições reais de emancipação e tomada de suas vidas. Oficinas, cineclubes, exposições, orientações profissionais e aperfeiçoamento do seu artesanato marcam a história do núcleo de mulheres em São Vicente. Recentemente elas criaram um desfile de moda com peças criadas no ateliê da cooperativa, além disso o bordado e a tinturaria orgânica desponta como inovação nesse segmento têxtil sustentável.

Dona Socorro, outra mulher de fibra que iniciou trabalhos com trançados na palha da banana na Vila Siriji, o distrito de São Vicente transformou e lutou e continua a sua jornada criando peças de decoração. Ela foi pioneira no artesanato da bananeira atuando como mediadora e coordenadora nos anos 2000 a frente de projetos sociais com foco no empoderamento da mulher vicentina. Outras mulheres fazem e fizeram história como dona Isabel Albuquerque, artista plástica. Dona Conceição Luna e Eutícia. Lutar como uma mulher, deveria ser a máxima de todos nós que buscamos e lutamos pela equidade de gênero, social e racial.

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MAMULENGUEIROS DE ONTEM E HOJE https://nossahistorianossamemoria.com.br/mamulengueiros-de-ontem-e-hoje/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/mamulengueiros-de-ontem-e-hoje/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:13:40 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=767 No cenário da cultura brasileira o Mamulengo ocupa lugar em destaque por suas representações e simbologia do povo e suas tradições. Em 2015 o IPHAN reconheceu essa manifestação como um patrimônio cultural imaterial e ao reconhecê-lo as pessoas que praticam essa área ganham passaram em larga medida a existir. Na cultura popular que é visto como cultura marginalizada atribui-se silenciamentos que afastavam políticas públicas de salvaguarda e identidades. 

Assim como aconteceu nos outros folguedos, o Mamulengo sofreu alterações nas suas formas de representação. Mané Gulino, no distrito de Siriji e adjacências, tinha diversos tipos de bonecos que eram apresentados nos toldos em madeira. Ele juntamente com outros colegas ocupavam sempre o começo das festividades populares como a de São José do Siriji na rua Galdiano Sérgio Barbosa. Quando Mané Gulino chegava agregavam para ver as cenas cotidianas dramatizados denunciando as violências sociais. É certo que o estilo dos brinquedos presentes nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte reproduziam e banalizavam as questões sociais do contexto da vida cotidiana. Então o que se via nesses mamulengos? Brigas entre mulheres e homens, traições conjugais que eram discutidas. A catirina estava frequentemente grávida enquando o Mateus fazia as mugangas. 

O mamulengo do século XX representa atitudes autoritários em regiões marcadas pelos senhores de engenho e dos coronéis atrelados à polícia local. A agressão física era visto como divertimento, uma forma de representação da vida real. Engraçado mas sem criticidade. Era assim com Mané Gulino, todos riam e se divertiam com as realidades amargas em cada casa. No século XXI as demandas artísticas numa ideia de promover uma cidadania tem mudado a rota do enredo apresentado ao público uma vez que as crianças tem se aproximado dessa expressão.

Assim como Mané Gulino todos os mamulengueiros, brincantes ou presepeiros partiam de um lugar comum que a sociedade era relacionada. Agora, com novos tratados sociais essas brincadeiras passaram a ser saneadas e que é diagnosticado como violência deve ser evitado nas apresentações pela dimensão pedagógica que essas atividades tem. Os temas mudaram, se no passado havia apologias a violência, hoje a narrativa combate o feminicídio, a homofobia e investem em temas que fortaleçam a cidadania.

Existem vários tipos de Mamulengo: O mamulengo de luva, que é o mais tradicional e tem como característica a túnica para colocar a mão e dar vida ao boneco. Sua cabeça e sua é esculpida de madeira e a criatividade toma conta do processo de animar esse teatro. Tem o mamulengo de luva e fio; mamulengo de vareta, vareta e fio, que são as estratégias de representação comum no teatro de bonecos.

Hermilo Borba Filho tem um pensamento sobre o mamulengo que sintetiza toda a magia e a grandiosidade que são as características extraordinária, “ a matéria do homem junta-se à matéria do boneco para uma transfiguração. A alma do homem dá ao boneco também uma alma. E, nesta pureza realizam um ato poético”.

Celebramos as vertentes dessa expressão artística nordestina, pernambucana que agora é também nacional, mas que é tão nossa. O mamulengo deve ser celebrado e discutido como elemento da nossa formação como povo e conectar-se aos espaços como o Museu do Mamulengo em Glória do Goitá que mantém viva a tradição dos bonecos falantes e que ganham vida a partir da imaginação de um artista nosso e próximo de nós.

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EDUCAR PARA O PATRIMÔNIO: O QUE FAZER E COMO FAZER? https://nossahistorianossamemoria.com.br/educar-para-o-patrimonio-o-que-fazer-e-como-fazer/ https://nossahistorianossamemoria.com.br/educar-para-o-patrimonio-o-que-fazer-e-como-fazer/#respond Fri, 06 Mar 2026 14:10:57 +0000 https://nossahistorianossamemoria.com.br/?p=774 De que serve uma cidade se a memória dela está sendo esquecida e apagada por camadas e camadas de narrativas que esvaziam os sentidos das coisas? De que vale uma cidade, um estado ou um país que despreza as memórias dos velhos e das velhas? Qual relevância tem uma nação cuja pauta cultura não consegue alcançar as novas gerações, tudo parece ter chegado ao fim e não tem como prosseguir na discussão sobre identidade, memória e vida comunitária? As respostas para tantas questões encontram um tema forte: educação. 

Ao longo do tempo as sociedades que estavam sendo apagadas entenderam que a forma de permanecerem vivas era preservando o que elas tinham de mais preciosa, sua história. É nesse contexto de preocupação com o que ainda resta dos testemunhos do passado que fomos vendo, por exemplo, o Brasil, buscando formular leis que protegem a cultura material. Ações de salvaguarda dos bens edificados foram emoldurando um panorama importante de monumentos que se olhado mais de perto poderíamos traçar um perfil de qual país teríamos para chamar de nação e imprimisse para essa nação um sentimento de coletividade. 

Evidente que ações focadas nos bens materiais seria acolhido por um grupo de pensadores específicos que no nosso caso foram os arquitetos da década de 30. Isso só para dar uma ideia da dimensão e da diversidade de temas que podem sair de uma discussão focada no patrimônio cultural. Quando nos aproximamos mais ainda dos casos de tombamento, registros e outras ferramentas para preservar a cultura, enxergamos que estamos falhando com a cultura imaterial que estão nas periferias, ou nas tidas periferias. Porque a cultura não deve ser apenas promotora ou promovida pela elite econômica desse país, mas colocando o povo no centro do debate. E a estratégia para isso acontecer é envolver estudante, professores e comunidade. 

A Escola é um espaço de negociações e conflitos, mas é dela também a função de despertar a criticidade nos estudantes para questões do cotidiano. A preservação da memória também passa pela escola, pois a educação para o patrimônio se revela como uma ação cidadã, um direito humano nos dias de hoje é uma pauta inadiável. 

Para construir uma boa prática para a educação patrimonial crítica é necessário observar o que o IPHAN já consolidou como metodologia das ações no segmento da memória e história. Primeira etapa a observação do que pretende-se lançar luz onde as pessoas vivem e interagem. Neste momento da ação é de suma importância haver orientação clara sobre o que se pretende nas etapas posteriores, mas é importante criar uma ideia de estranhamento. Estranhar o lugar para poder enxergar as minúcias. A segunda etapa da atividade reside na apropriação das percepções do espaço, dos lugares estudados utilizando imagens, fotografias e desenhos. É momento de tentar se apropriar do máximo que puder para a proposta. A terceira etapa da ação é a exploração do lugar, ou seja, promover análise crítica sobre costumes, saberes, fazeres. Os professores, produtores culturais ou quaisquer mediadores orientam os participantes da educação patrimonial a olhar de novo o que já está viciado ao nosso olhar. Daí o resultado esperado é um conhecimento novo sobre o objeto estudado e analisado. A quarta etapa dos estudos é resultado de todo o esforço para a criação de uma sensibilização do patrimônio para inserir as pessoas no cenário da história, fazê-lo pertencer ao lugar e mobilizá-lo, mobilizá-la para estabelecer metodologias cotidianas. Essas etapas podem ser feitas a partir de passeios nos centros e nas periferias das cidades; mapa afetivo dos lugares, jogos de memória, jogos que mobilizam participantes para construir a criticidade. Evidentemente que as atividades podem ampliar conflitos, potencializar a percepção dos lugares e possibilidade das cidades trazendo à baila a importância, na prática, da história das cidades, das ruas, dos lugares, dos saberes e fazeres. A educação para o patrimônio segue sendo uma alternativa a descoberta da cidade e das pessoas. 

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