Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

O ACERVO DA CASA GRANDE DO ENGENHO JUNDIÁ – VICÊNCIA.

O Engenho Jundiá é berço de um intérprete do Brasil, o Manuel Correia de Andrade que nasceu em 1922 e escreveu o nordeste e suas impressões sobre a região do Siriji. Fundado no final do século XVIII Jundiá passou por diversos donos sendo o primeiro o Ventura Dias de Sá que tinha esse engenho entre seus bens. Só no século XIX Manuel Correia, avô do geógrafo, adquiriu parte significativa da propriedade, permanecendo até os dias de hoje. Dos equipamentos a gente encontra toda a estrutura do que se espera de uma fábrica colonial para fabricação do açúcar e a paisagem cultural que é cortada pelo Teitanduba. Próximo ao casarão construído em 1900 uma imponente Sapucaia recebe os visitantes testemunhando o desmatamento da mata Atlântica para a cultura açucareira. 

Na casa de purgar as madeiras que foram usadas para as tábuas de furo para as formas é de Sapucaia Rosa, abundante na região antes do advento do “progresso” açucareiro. Do mesmo engenho foi tirado também madeira para a reforma da casa em estilo Chalé. Por ser um museu reconhecido pelo IBRAM o programa de visita a casa-museu deve ser agendado e a mediação é feita por Dona Zélia César, atual proprietária que com interesse em destacar os feitos da família Correia faz um tour pelo casarão mostrando os móveis, quadros e relatando muitas curiosidades.

O acervo da casa está em exposição permanente, tudo preservado como se estivéssemos no começo do século XX e revela os gostos de uma família abastada vivendo no Vale do Siriji. A mobília Austríaca ricamente trabalhada orna os corredores e as salas de jantar: Cadeiras, mesas de centro, camas. O berço das crianças, a banheira de Seu João de Jundiá junto a roupas infantis. Nas paredes muito registro da história local. Em destaque as indulgências que a família comprou nas santas missões pela região. 

Na sala de estar os quadros dos antigos proprietários estão em destaque, são quadros que foram aumentados com as tecnologias da fotografia. A turma de Joaquim Correia de Andrade está na parede como um testemunho do antigo proprietário formado pela renomada Faculdade de Direito do Recife. 

Na condução da visita a casa por Dona Zélia os relatos sobre o morar, o viver e o servir são mostrados pelos tachos de doce guardados, pelos conjuntos de xícaras e porcelanas europeias guardados na cristaleira austríaca. As fronhas e as toalhas de mesa, ricamente bordados pela dona da casa despertam a curiosidade dos visitantes. Além de chamar a atenção para a qualidade do morar ali, cada objeto remonta a história da cidade, pois por muito tempo os líderes políticos de Vicência residiram ali. De tal modo que a Casa 14, ao lado da Matriz da cidade foi um investimento do Joaquim Correia mostrando poder econômico da casa na cidade como em Sobrados e Mocambos, quando o senhor do engenho passa a ter uma residência nos pontos mais efervescentes da localidade para poder flanar e se atualizar dos gostos e interesses das mais variadas naturezas de assuntos. 

Relógios do ano de 1881 do tempo do casamento de Manuel Correia de Andrade o pai de Joaquim Correia, ainda funciona por meio das cordas, bonecas de porcelana estão preservados com o intuito de mostrar os costumes da infância. 

No Jundiá é possível contemplar a Igreja de Santa Joana D’Arc construída por causa de uma promessa contra os reacionários do golpe de 1930 que tocaram fogo em engenhos da região por conta de rivalidade entre liberais e conservadores e o dono do engenho Jundiá que fugiu para preservar a vida, prometeu se a propriedade não fosse atacada construíram uma igreja em intenção a revolucionária francesa. 

Share

Search

Roteiros recentes

Compartilhe nas nossa redes