Episódio: Edriane Cruz — Educação, cultura e resistência no Quilombo de Trigueiros
Resumo
Neste episódio do Nossa História, Nossa Memória, a jornalista Josi Marinho conversa com Edriane Cruz Barbosa de Melo, professora, pesquisadora e líder comunitária quilombola da comunidade de Trigueiros, em Vicência, Pernambuco.
Com fala firme e olhar sensível sobre sua terra, Edriane compartilha sua trajetória dentro da comunidade, desde os primeiros passos como professora até se tornar uma das principais vozes do movimento quilombola na região.
O episódio destaca o processo de certificação do Quilombo de Trigueiros em 2006, um marco histórico que impulsionou transformações profundas — da retomada cultural à criação de uma associação comunitária na antiga Casa Grande, símbolo de resistência e reconstrução de identidade.
Entre memórias e reflexões, Edriane fala sobre o papel da educação, da mulher e da cultura na luta por autonomia, dignidade e pertencimento.
Para ela, ser quilombola é carregar no corpo e na memória a força da luta, da resistência e da liberdade.
🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Edriane Cruz Barbosa de Melo
[Trilha de abertura – som de vento, passarinhos e tambor suave, evocando o ambiente rural e ancestral do quilombo]
JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Bem-vindos a mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que preserva e compartilha as vozes que constroem a cultura e a identidade de Pernambuco.
Hoje, o nosso encontro é com uma mulher que representa a força da educação e da resistência quilombola.
Eu converso com Edriane Cruz Barbosa de Melo, professora, pesquisadora e liderança do Quilombo de Trigueiros, localizado em Vicência, na Zona da Mata Norte.
[Trilha sobe suavemente e se mistura com som de tambores e passos na terra]
JOSI MARINHO:
Edriane, é um prazer ter você aqui com a gente.
Conta pra gente como começou a sua caminhada dentro da comunidade de Trigueiros.
EDRIANE CRUZ:
Obrigada, Josi.
A minha história se confunde com a do quilombo.
Eu comecei como professora, ainda muito jovem, e logo percebi que a educação podia ser uma ferramenta de transformação.
Naquele tempo, muita gente nem sabia o que significava ser quilombola.
Mas a gente já vivia o quilombo na prática: com união, solidariedade e fé.
JOSI MARINHO:
Você foi uma das figuras centrais no processo de certificação do quilombo, em 2006.
Como foi viver esse momento histórico para a comunidade?
EDRIANE CRUZ:
Foi um tempo de muito trabalho e esperança.
A certificação veio depois de muitas reuniões, visitas técnicas e, principalmente, de muita resistência.
Quando o documento chegou, a gente chorou.
Porque era o reconhecimento de uma história que vinha sendo contada há gerações, de avós e bisavós que lutaram pra manter esse território vivo.
[Som ambiente de batuques e vozes ao fundo – breve pausa reflexiva]
JOSI MARINHO:
Depois da certificação, muita coisa mudou em Trigueiros, não é?
O que você destacaria como as principais conquistas dessa nova fase?
EDRIANE CRUZ:
Mudou, sim.
A gente retomou a vida cultural da comunidade.
Transformamos a antiga Casa Grande num espaço de convivência e criamos uma associação comunitária que representa o nosso povo.
Ali, realizamos oficinas, encontros e atividades que resgatam as tradições, a oralidade e a memória.
Hoje, os jovens estão mais conscientes do que significa ser quilombola — e isso é uma vitória.
JOSI MARINHO:
E você sempre destaca o papel das mulheres nesse processo.
Como é ser mulher, educadora e liderança dentro do quilombo?
EDRIANE CRUZ:
Ser mulher quilombola é lutar duas vezes.
É enfrentar o racismo, o machismo e, mesmo assim, continuar acreditando.
A gente carrega a herança das mulheres que vieram antes — as que cuidaram da terra, da família e da fé.
A educação é o meu instrumento de luta, mas o afeto também é.
Porque o amor pelo nosso território é o que nos move.
[Trilha suave – violão e atabaque, tom emotivo]
JOSI MARINHO:
Você costuma dizer que a palavra “quilombola” significa luta e resistência.
Como você define essa identidade hoje?
EDRIANE CRUZ:
Pra mim, ser quilombola é ter um cantinho de liberdade.
É poder existir do nosso jeito, celebrar o que é nosso e viver com dignidade.
A cultura é o nosso modo de ser — está na comida, na música, no modo de falar e de ensinar.
A gente não apenas resiste, a gente insiste em viver com alegria.
[Trilha sobe, som de maracá e cantos tradicionais]
JOSI MARINHO:
Que mensagem linda, Edriane.
A sua história é exemplo de como a memória, a cultura e a educação transformam comunidades inteiras.
Obrigada por compartilhar com a gente essa caminhada de coragem e amor pelo quilombo.
EDRIANE CRUZ:
Obrigada a você, Josi, e a toda equipe do podcast.
É sempre bom poder contar a nossa história com orgulho e esperança.
[Trilha final – batuques e vozes femininas entoando um canto tradicional de Trigueiros, encerrando em fade out]
JOSI MARINHO:
E assim a gente encerra mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória.
Continue acompanhando nossas entrevistas e conheça mais sobre as histórias que preservam o patrimônio vivo de Pernambuco.
Até o próximo episódio!
[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]


