🎧 Episódio: Denise Maria José — A cabocla de lança que abriu caminho para as mulheres do maracatu
Resumo
Em Nazaré da Mata, cidade reconhecida como a Capital Estadual do Maracatu Rural, o som das alfaias ecoa a força das mulheres que transformam a tradição em liberdade.
Neste episódio, o Podcast Nossa História, Nossa Memória, conduzido por Josi Marinho, apresenta a história de Denise Maria José, artista, artesã e guardiã da cultura popular pernambucana, cuja trajetória desafia convenções e inspira gerações.
Denise teve seu primeiro contato com o maracatu aos quinze anos, através da Munã (Associação das Mulheres de Nazaré da Mata), espaço que despertou nela o desejo de ocupar o tambor e o chão do cortejo.
Com o tempo, ela rompeu barreiras e se tornou uma Cabocla de Lança, papel tradicionalmente masculino, abrindo caminho para que outras mulheres também pudessem vestir a gola, segurar a lança e cantar seus próprios versos.
Líder do Maracatu Feminino Coração Nazareno, formado apenas por mulheres, Denise reafirma o protagonismo feminino dentro das tradições afro-indígenas da Zona da Mata Norte.
Entre bordados, ritmos e versos, ela também atua como artesã, confeccionando chapéus, golas e adereços — peças que carregam memória e pertencimento.
Com fala firme e emocionada, Denise resume sua missão em uma palavra: liberdade — a de ser mulher, artista e cabocla em um mundo que, por muito tempo, tentou silenciá-las.
🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Denise Maria José
[Trilha de abertura – som de alfaias, gonguês e canto de maracatu feminino ao fundo]
JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está começando mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que celebra as vozes que fazem pulsar o patrimônio cultural de Pernambuco.
Hoje, nosso encontro é com uma mulher de fibra, que carrega nas mãos e no coração a força ancestral do maracatu.
Eu converso com Denise Maria José, artesã, artista e Cabocla de Lança, de Nazaré da Mata — a Capital Estadual do Maracatu Rural.
[Trilha sobe e desce suavemente – som de apito de caboclo e batida de alfaia]
JOSI MARINHO:
Denise, é uma alegria ter você aqui.
Conta pra gente: como foi que o maracatu entrou na sua vida?
DENISE MARIA JOSÉ:
Obrigada, Josi.
O maracatu chegou quando eu tinha uns quinze anos, através da Munã, a Associação das Mulheres de Nazaré da Mata.
Ali, eu conheci a força da cultura, o som dos tambores, as histórias dos mestres.
Foi amor à primeira vista.
A partir dali, nunca mais consegui ficar longe do maracatu.
JOSI MARINHO:
E você não ficou só nos bastidores, né?
Você se tornou Cabocla de Lança, um papel que, por muito tempo, era visto como exclusivo dos homens.
Como foi assumir esse lugar?
DENISE MARIA JOSÉ:
Foi uma luta, viu?
No começo, muita gente achava que mulher não podia vestir a gola, nem segurar a lança.
Mas eu sempre acreditei que a cultura é pra todos.
Quando entrei no maracatu como cabocla, eu queria mostrar que a mulher pode estar onde quiser — no palco, no terreiro e no cortejo.
Hoje, eu olho pra trás e vejo quantas mulheres vieram junto, quantas outras agora também vestem a gola com orgulho.
[Som ambiente – passos no chão, batida cadenciada de maracatu e vozes femininas ao fundo]
JOSI MARINHO:
Você também lidera o Maracatu Feminino Coração Nazareno, formado só por mulheres.
Qual é o significado desse grupo pra você e pra Nazaré da Mata?
DENISE MARIA JOSÉ:
O Coração Nazareno é resistência e amor.
É o nosso espaço de expressão.
A gente canta, toca, dança e mostra que a tradição também tem o rosto da mulher.
Quando a gente entra no cortejo, vestida de cabocla, é como se disséssemos ao mundo: “Estamos aqui, com nossa força, nossa cor e nossa fé.”
JOSI MARINHO:
Além do maracatu, você também trabalha como artesã, confeccionando chapéus e golas — elementos essenciais da indumentária do caboclo.
Como é esse processo pra você?
DENISE MARIA JOSÉ:
Ah, é um trabalho que vem da alma.
Cada gola que eu bordo tem um pedacinho da história de Nazaré da Mata.
É arte, é identidade, é carinho.
Quando eu vejo um caboclo desfilando com uma gola feita por mim, sinto que deixei um pouco de mim na rua, no cortejo, no batuque.
[Trilha suave – som de costura e tambores ao fundo]
JOSI MARINHO:
Você também participa de grupos de coco e ciranda, outras expressões fortes da nossa cultura popular.
O que essas manifestações representam pra você?
DENISE MARIA JOSÉ:
Representam a alegria de viver.
O coco e a ciranda são como o abraço da comunidade.
A gente canta, roda, sorri — e esquece as dores do dia.
Tudo isso é cultura popular, é o jeito que a gente encontra pra resistir e seguir em frente.
JOSI MARINHO:
E pra encerrar, Denise… o que a cultura popular representa pra você, em uma palavra?
DENISE MARIA JOSÉ:
Representa liberdade.
Liberdade de ser quem eu sou, de ocupar o meu espaço e de mostrar que a mulher pode, sim, estar em qualquer lugar.
[Trilha final – batida firme de alfaias e coro feminino entoando “Salve o maracatu!”]
JOSI MARINHO:
Que fala poderosa!
Denise Maria José, muito obrigada por compartilhar conosco a sua história e a sua força.
E a você que nos ouve, siga o Nossa História, Nossa Memória e compartilhe este episódio.
Até a próxima, com mais histórias que exaltam o poder feminino e a riqueza cultural da Zona da Mata!
[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]


