🎧 Episódio: Mestra Gel do Coco e Maria do Coco — Mãe, filha e o batuque que move Tracunhaém
Resumo
Em Tracunhaém, terra de barro, ritmo e tradição, a cultura popular ganha corpo e voz nas mãos de duas mulheres que vivem o coco como herança e resistência: Mestra Gel do Coco e sua mãe, Maria do Coco.
Neste episódio, a jornalista Josi Marinho conversa com mãe e filha sobre a força feminina que mantém viva uma das manifestações mais pulsantes da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Gel cresceu entre o maracatu rural e o coco de roda, até criar, com coragem e emoção, o grupo Coco Panela de Barro, formado por mulheres e batizado em homenagem à tradição oleira de sua cidade.
Na conversa, ela relembra como superou o medo de liderar, assumindo o papel de mestra, e como a presença de sua mãe, Maria do Coco, foi fundamental nesse caminho.
Maria, reconhecida como compositora e guardiã das canções originais do grupo, fala sobre a importância de transmitir o coco para as novas gerações e sobre a alegria de ver o legado familiar continuar.
Entre risos, versos e batidas de tamancos, mãe e filha celebram a força ancestral das mulheres da cultura popular — provando que o coco é mais do que dança: é vida, memória e resistência.
🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Mestra Gel do Coco e Maria do Coco
[Trilha de abertura – som de coco de roda, palmas e zabumba, seguido de risos femininos]
JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está no ar mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que celebra o patrimônio cultural de Pernambuco através das vozes de quem o faz pulsar.
Hoje, o episódio é cheio de ritmo, emoção e herança familiar.
A gente vai até Tracunhaém, na Zona da Mata Norte, pra conversar com duas mulheres que transformam o coco em arte e identidade: Mestra Gel do Coco e sua mãe, Maria do Coco.
[Trilha sobe e desce – som de tamancos batendo no chão]
JOSI MARINHO:
Gel, quero começar contigo.
Você é fundadora do grupo Coco Panela de Barro, um dos mais bonitos da região, formado por mulheres.
Como nasceu esse grupo e essa paixão pelo coco?
MESTRA GEL DO COCO:
Obrigada, Josi.
O coco sempre esteve na minha vida.
Eu cresci vendo maracatu, ciranda, e ouvindo minha mãe cantar.
Mas o Panela de Barro nasceu de um sonho.
Eu tinha medo de liderar um grupo, achava que não ia conseguir.
Mas um dia, minha mãe disse: “Tu já nasceu com o coco dentro de ti.”
Foi aí que juntei coragem e fundei o grupo, com mulheres da comunidade, pra mostrar que o coco também é nosso espaço.
[Som ambiente – batida de pandeiro e vozes femininas cantando “bate o coco, minha gente”]
JOSI MARINHO:
E o nome do grupo, Panela de Barro, é uma homenagem à tradição oleira de Tracunhaém, não é?
MESTRA GEL DO COCO:
É sim!
Tracunhaém é conhecida pelo barro, pela cerâmica, e eu quis juntar isso à nossa arte.
Assim como o barro, o coco também é moldado pelas mãos das mulheres.
A panela segura o alimento, e o coco segura a memória.
As duas coisas alimentam a gente — uma o corpo, a outra a alma.
JOSI MARINHO:
E a senhora, dona Maria, é uma inspiração constante nesse caminho.
Como é ver sua filha conduzindo um grupo só de mulheres e mantendo viva essa tradição?
MARIA DO COCO:
Ah, é um orgulho, minha filha.
Eu canto coco desde menina.
Quando vejo Gel no palco, tocando e dançando, é como se eu visse o passado e o futuro se encontrando.
Eu compus muitas das músicas que elas cantam hoje.
O coco pra mim é isso: é família, é união e é alegria.
[Trilha suave – som de riso e voz de Maria entoando versos antigos]
JOSI MARINHO:
E o Coco Panela de Barro é também uma forma de resistência, não é, Gel?
Vocês mostram que a mulher pode, sim, liderar grupos, cantar e ocupar o centro do batuque.
MESTRA GEL DO COCO:
Com certeza.
Durante muito tempo, o coco era visto como coisa de homem.
Mas a gente veio mostrar que o batuque não tem gênero.
O que tem é amor, força e ancestralidade.
Quando a gente entra na roda, é como se todas as mulheres que vieram antes estivessem ali com a gente.
JOSI MARINHO:
E o que o coco representa pra vocês duas, mãe e filha?
MARIA DO COCO:
Representa alegria, liberdade e fé.
MESTRA GEL DO COCO:
Representa vida, Josi.
Porque enquanto a gente cantar e bater o pé, a tradição vai continuar viva.
[Trilha final – som de coco acelerando e coro feminino cantando: “Panela de barro não quebra, é de mulher guerreira!”]
JOSI MARINHO:
Que maravilha!
Dona Maria do Coco, Mestra Gel do Coco, obrigada por essa conversa tão bonita e cheia de energia.
E a você que nos escuta, siga o Nossa História, Nossa Memória nas redes sociais e compartilhe essa história que é puro batuque e pertencimento.
Até o próximo episódio, com mais vozes que fazem vibrar o coração cultural da Zona da Mata Norte!
[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]


