🎧 Episódio: Cecília Gouveia — Do mar à arte: mulheres quilombolas que transformam conchas em liberdade
Resumo
Nas margens do litoral norte de Pernambuco, entre redes de pesca e memórias ancestrais, floresce o trabalho de Cecília Gouveia da Silva, artesã e fundadora do Coletivo Quilombola de São Lourenço, no município de Goiana.
Neste episódio, a jornalista Josi Marinho conversa com Cecília sobre a força das mulheres quilombolas que, historicamente marisqueiras, encontraram no artesanato uma nova forma de afirmar identidade, gerar renda e preservar o território.
Com apoio de uma ONG e da Universidade Federal, o coletivo nasceu como uma alternativa de complemento de renda e se tornou referência em sustentabilidade e arte comunitária.
As artesãs utilizam conchas descartadas e fios de rede de pesca para criar roupas, acessórios e objetos de decoração — um gesto de resistência que une memória, ecologia e empoderamento feminino.
Entre histórias de marés, ancestralidade e transformação, Cecília fala sobre o processo artesanal minucioso, a limpeza manual das conchas e o crescente reconhecimento de seu grupo, que já desperta interesse no Brasil e fora dele.
Para ela, cada peça criada é um canto de pertencimento — um tributo às mulheres do mar e um símbolo de autonomia e liberdade quilombola.
🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Cecília Gouveia da Silva
[Trilha de abertura – som de ondas do mar, gaivotas e batida suave de tambor]
JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está no ar mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que valoriza o patrimônio cultural vivo de Pernambuco e as histórias das mulheres que o constroem.
Hoje, a gente vai até o litoral norte, em Goiana, pra conhecer uma mulher que transformou o mar em arte e resistência.
Eu converso com Cecília Gouveia da Silva, integrante e fundadora do Coletivo Quilombola de São Lourenço.
[Trilha sobe levemente – som de conchas se tocando e água correndo]
JOSI MARINHO:
Cecília, que alegria ter você aqui com a gente.
Conta pra gente como nasceu o coletivo e como a sua história se conecta com a história do quilombo.
CECÍLIA GOUVEIA:
Obrigada, Josi.
Eu nasci e cresci no Quilombo de São Lourenço, uma comunidade cercada pelo mangue, pela maré e pela luta.
As mulheres daqui sempre viveram da pesca e do marisco, mas a vida foi ficando mais difícil.
A gente começou o coletivo com o apoio de uma ONG e da universidade pra ter um complemento de renda, e acabou descobrindo um jeito novo de contar nossa história através da arte.
JOSI MARINHO:
E o trabalho de vocês é muito especial.
Vocês transformam conchas e redes de pesca em peças artesanais lindas.
Como é esse processo?
CECÍLIA GOUVEIA:
É tudo feito com muito carinho.
A gente recolhe as conchas que o mar traz, faz a limpeza manual, uma por uma, e depois começa o trabalho com a técnica do ponto de rede de pesca — a mesma que nossos pais usavam pra pescar.
É como se a gente costurasse o passado e o presente com as próprias mãos.
Cada peça tem um pedacinho da nossa história e da nossa resistência.
[Som ambiente – barulho de conchas sendo lavadas, som de rede sendo esticada]
JOSI MARINHO:
E o coletivo tem ganhado reconhecimento fora de Goiana, não é?
Como tem sido ver esse trabalho ser valorizado em outros lugares?
CECÍLIA GOUVEIA:
Tem sido emocionante.
A gente começou pequeno, vendendo aqui na feira e nas festas da comunidade.
Mas o trabalho foi crescendo, e hoje já participamos de exposições e feiras fora do Estado.
Já teve gente de outros países que conheceu nossas peças.
Isso mostra que o que a gente faz com amor e verdade ultrapassa fronteiras.
JOSI MARINHO:
Além da renda, há também uma grande transformação social, principalmente entre as mulheres mais jovens.
Como o artesanato ajuda nesse processo de empoderamento?
CECÍLIA GOUVEIA:
Ajuda muito.
Antes, muitas meninas achavam que só tinham o mangue e o mar.
Agora, elas veem que podem criar, vender, estudar.
A arte trouxe autoestima e união.
E a gente ensina que preservar o mangue e o território é também preservar a nossa história.
[Trilha leve – som de maré e vozes femininas ao fundo]
JOSI MARINHO:
Cecília, o trabalho de vocês é um exemplo de como a cultura popular e o meio ambiente podem caminhar juntos.
O que você sente quando termina uma peça feita com as próprias mãos?
CECÍLIA GOUVEIA:
Sinto orgulho.
Cada peça é um pedacinho da gente, uma forma de mostrar quem somos.
É como se o mar falasse através das nossas mãos.
A cultura é isso: raiz, força e liberdade.
[Trilha sobe – mistura de tambor, mar e vozes femininas cantando um coco do mangue]
JOSI MARINHO:
Cecília Gouveia, muito obrigada por compartilhar sua história e sua arte com a gente.
E que o trabalho das mulheres do Quilombo de São Lourenço continue inspirando e ecoando por todo o Brasil.
CECÍLIA GOUVEIA:
Obrigada, Josi.
Enquanto o mar existir, a gente vai continuar criando e resistindo.
[Trilha final – som de maré, canto de ciranda e batuques em fade out]
JOSI MARINHO:
E assim a gente encerra mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória.
Siga o podcast nas redes sociais e compartilhe esta história de força e ancestralidade.
Até o próximo episódio, com mais mulheres que constroem, com arte e coragem, o patrimônio vivo da Zona da Mata Norte!
[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]


