Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

Roteiro Episódio 14

🎧 Episódio: Juçara Queiroga — O corpo, a dança e a força das mulheres da Mata Norte

Resumo

Com o corpo moldado pelo ritmo e o coração guiado pela ancestralidade, Juçara Queiroga é uma das vozes mais expressivas da dança popular pernambucana.
Nascida em Vicência, na Zona da Mata Norte, Juçara começou a dançar aos nove anos de idade e construiu uma trajetória que une movimento, memória e resistência.

No episódio, a jornalista Josi Marinho conversa com a dançarina e produtora cultural sobre as origens de sua relação com a cultura popular e o nascimento da Cabôcla Produção, empresa criada em 2021, dedicada à elaboração e gestão de projetos culturais, sociais e ambientais.
Juçara fala sobre o sucesso de produções que circularam dentro e fora do país — como a turnê Música Rural, em Portugal e Espanha, e o espetáculo Cabocla da Mata, obra autoral que celebra a presença feminina na dança popular.

Entre histórias de palco, maternidade e maracatu, Juçara reflete sobre os desafios de ser mulher, mãe e produtora em um meio ainda marcado por desigualdades.
Para ela, a cultura é mais do que trabalho: é conexão espiritual e social, uma ponte entre a terra, o corpo e a liberdade.


🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Juçara Queiroga

[Trilha de abertura – som de maracatu, passos de dança e triângulo suave]

JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está começando mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que celebra as vozes que fazem pulsar o patrimônio cultural de Pernambuco.
Hoje, nossa convidada é uma mulher que dança com o corpo, com a alma e com o tempo.
Eu converso com Juçara Queiroga, dançarina, produtora cultural e fundadora da Cabôcla Produção, empresa que vem fortalecendo a cena cultural da Zona da Mata Norte.

[Trilha sobe e desce suavemente – som de chocalhos e tambores leves]

JOSI MARINHO:
Juçara, é uma alegria te receber aqui.
Conta pra gente: quando começou essa relação tão forte com a dança e com a cultura popular?

JUÇARA QUEIROGA:
Obrigada, Josi. É uma honra estar aqui.
A dança sempre esteve presente na minha vida.
Eu nasci em Vicência, cresci na Zona da Mata Norte, onde a cultura pulsa em cada canto.
Comecei a dançar profissionalmente aos nove anos — e desde então nunca mais parei.
A cultura popular me ensinou a ser quem eu sou: uma mulher que carrega no corpo a história da minha terra.

JOSI MARINHO:
E de lá pra cá, você construiu uma carreira muito bonita, entre o palco e a produção.
Em 2021, criou a Cabôcla Produção, que tem se destacado em vários projetos.
Como nasceu essa ideia?

JUÇARA QUEIROGA:
A Cabôcla nasceu de uma necessidade.
Eu já vinha atuando em várias frentes — como artista, produtora, gestora.
Mas percebi que faltava um espaço pra gente organizar, planejar e profissionalizar o trabalho da cultura popular.
A empresa surgiu pra isso: pra unir arte, gestão e propósito.
Hoje a gente trabalha com projetos culturais, sociais e ambientais, sempre com foco na valorização das tradições e na força feminina.

[Som ambiente – passos de dança e batuques ao fundo]

JOSI MARINHO:
Entre os projetos mais marcantes estão o espetáculo Cabocla da Mata e a turnê internacional Música Rural, que levou a cultura pernambucana pra Portugal e Espanha.
Como foi viver essas experiências?

JUÇARA QUEIROGA:
Foram momentos de muita emoção.
O Cabocla da Mata é uma obra muito pessoal — é sobre corpo, terra e ancestralidade.
Já a turnê Música Rural mostrou pra gente que a cultura popular tem força universal.
Quando o som do maracatu ecoa em outro país, você percebe que a arte não tem fronteira, só sentimento.

JOSI MARINHO:
Você também fala muito sobre o papel das mulheres na dança e na cultura popular.
Como é ocupar esse espaço, sendo mãe, artista e gestora?

JUÇARA QUEIROGA:
É desafiador, Josi.
Ser mulher na cultura é ter que provar todos os dias que a gente pode estar no palco e na produção.
A maternidade me ensinou muito sobre tempo, entrega e equilíbrio.
Hoje, mais do que nunca, eu acredito que a dança é um jeito de educar, de acolher e de conectar.
A cultura é a nossa forma de existir e resistir.

[Trilha suave – som de pandeiro e vento passando entre árvores]

JOSI MARINHO:
Juçara, pra encerrar: o que a dança representa pra você, em uma palavra?

JUÇARA QUEIROGA:
Representa vida.
Porque quando eu danço, eu me reconecto com tudo: com a minha infância, com o meu povo e com a minha espiritualidade.

[Trilha final – som de passos, tambores e vozes femininas entoando “Cabocla da Mata”]

JOSI MARINHO:
Juçara Queiroga, muito obrigada por dividir sua história, sua arte e sua força conosco.
E a você, ouvinte, que nos acompanha, continue celebrando a cultura viva de Pernambuco conosco.
Até o próximo episódio do Nossa História, Nossa Memória, com mais mulheres que fazem da arte um espelho da nossa identidade.

[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]

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