Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR E O ENGENHO POÇO COMPRIDO

O Engenho Poço Comprido é uma propriedade privada cujo uso atual é um museu e integra os bens imóveis da Usina Laranjeiras. Sua importância histórica reside em seu valor para a memória social do Estado de Pernambuco por conta da arquitetura colonial. Nos anos 60 o Serviço do Patrimônio Histórico reconheceu a propriedade como o único remanescente do país a ter características dos casarões portugueses. Escrita no Livro de belas artes a casa e a capela são conectadas pelo passadiço que levava os moradores a igreja onde o padre celebrava a missa e também era moradia do padre. 

Durante os movimentos liberais de 1817 a zona da mata virou um campo de disputas e batalhas ideológicas que respingou na vida rural desses engenhos de modo a consolidar estratégias que visava na circulação das informações, muitas delas provenientes dos centros mais dinâmicos como em Goiana foram cultivadas no silêncio dos canaviais. Uma elite açucareira era pouco ilustrada e por isso os ideais liberais chegavam com certo atraso nos interiores, como foi o caso da região do Siriji. 

Quatro anos depois a revolta de Goiana influenciou o posicionamento de alguns representantes do interior ao passo que os movimentos liberais crescentes na região tendo participado da Junta Governativa de Goiana. A junta de goiana antecedeu o movimento de emancipação política do Brasil em relação à coroa portuguesa. Em oposição ao governo imperial, buscando alternativas para uma implementação, Pernambuco se rebelou novamente não cumprindo com a exigência de jurar fidelidade à Constituição de 1824. Depois de da eclosão dos conflitos no Recife e conseguinte declínio das tentativas dos revoltosos em controlar o poder contrapondo Pedro I, o líder Frei Caneca marchou para Goiana buscando apoio entre os Carmelitas naquela cidade. A partir de Goiana ele marchou para goianinha, hoje Condado, arregimentando senhores de engenhos para continuar o conflito. No seu itinerário ele refaz os caminhos por onde percorreu, chegando na velha Laranjeiras e chegando em Poço Comprido, pernoitando e realizando o Grande Conselho onde, após algumas desistências, decidiram organizar o movimento seguindo para o Ceará.

É certo que em Poço Comprido o grande movimento teve adesão dos liberais da localidade e adjacências, mas também de trabalhadores livres comuns. A Divisa Constitucional da Confederação do Equador teve adesão de paraibanos e de outros veneráveis do exército formado para aquele fim. No texto A gloriosa Sotaina do Primeiro Reinado o autor celebra a quantidade de pessoas e sua diversidade participando do movimento. Na história do Engenho Poço Comprido a Confederação do Equador passou por muito tempo esquecida e por muitos ignorada sendo revisitada agora nos 200 anos em que foi celebrado com grande participação da população. Não acho exagero observar que depois de 200 anos a história local do Engenho ainda enfrente problemas de esvaziamento das narrativas, mas os eventos que lembraram da data celebraram publicações de livros, seminários temáticos e muitas citações acerca dessa Divisa. A Região da Mata Norte foi protagonista desse e de outros movimentos. Resultado desse momento foi aficcionado na parece pelo Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco em parceria com a Associação dos Filhos e Amigos de Vicência, AFAV por meio do trabalho Essa Parede tem História. 

A história e a memória das revoluções também passam por aqui. Celebramos os 200 anos e mais 200 anos de Confederação do Equador, onde a rugido do leão do norte fez história e inscreveu ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade nos velhos casarões do Vale do Siriji. 

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