A capela de Nossa Senhora dos Remédios, defronte a casa-grande do Engenho Patos, desde sua fundação ocupa um papel de destaque no triângulo rural, a capela e a casa tinham relações estreitas. Era na casa que também aconteciam as atividades domésticas, onde se recebia também os amigos e representantes políticos, fofocavam o cotidiano, aconteciam as festas, os partos, os casamentos e os velórios. A moita era o lugar da produção onde os trabalhadores, na sua maioria negros escravizados e alguns livres faziam o engenho moer e tranformar aquele amargo trabalho no doceaçúcar. Voltando à casa, no dizer de Freyre foi a “fortaleza, o banco, o cemitério, hospedaria, escola, santa-casa de misericórdia amparando os velhos e as viúvas”. Era portanto um complexo que se estendia além da edificação propriamente dita. Continua o convite para conhecer o texto de Freyre cujo título dialoga sobre este elemento da colonização: a casa. Compondo o tripé da formação colonial, aquela capela que fica distante alguns metros da área social era o elo principal da formação da sociedade brasileira, saem da casa mas permanecem nela.
Alguns dos engenhos do Vale do Siriji tem capela. Capelas imponentes e com evidentes relações com a população. Na conjuntura colonial onde essa importância era latente, a capela estava nas casas. Delas, essas igrejas se ergueram e algumas trouxeram um quê de casa para sua arquitetura, no caso o copiá e as galerias externas. Patos não tinha copiá mas na lateral da capela havia uma galeria. Geraldo Gomes observa esta característica, diz que essas galerias laterais podem ter servido também de local para enterramentos ou atividades sociais como sugere o autor. No entanto é uma construção única no estado de pernambuco, o coro que atualmente configura seu acesso pelo interior, também era ligado pelo exterior, esse prolongamento do coro se apoia em sólidas colunas de alvenaria que também sustenta o alpendre lateral. Sabe-se porém que os usos das capelas nem sempre estavam ligadas as missas e atividades outras complementares as religiões, eram locais também de vigília e também moradia para o padre que vivesse na propriedade.
A capela de Patos foi palco de grandes eventos históricos locais como a visita de cangaceiros, Antonio Silvino viviam na propriedade ainda numa época que os Andrade Lima não estavam sob o comando do engenho, jornais relatam brigas de família finalizando em mortes por homicídios na frente da capela. A comunidade de Patos, que mais parecia um distrito, um povoado dada a quantidade de casas que existia ao longo do rio e da topografia que pontilhavam residências de trabalhadores, isso tudo leva a crer que o uso da capela era mais assídua do que a Capela de São José, do povoado de Moganga. Outro engenho de evidente valor cultural é a capela de São João Batista (Poço Comprido) que sem copiá ou galeria se vale do passadiço ligando a casa a capela. Há duas discussões sobre a igreja de Patos: Uma que diz respeito aos donos anteriores (família Correia de Oliveira) e o santo entronado, a arquitetura destaca Santa Ana tendo sido destronada quando a família Andrade Lima tomou posse do engenho; a segunda destaca a devoção de Nossa Senhora dos Remédios promovendo atividades festivas na propriedade e que ao lado da Senhora do Rosário seria o alento para o homem, o remédio para vida humana. (vide artigo sobre o engenho).
De colunas sólidas e número de conclusão da edificação, 1844, a capela branca às margens do Rio Siriji resguarda os restos mortais da família Andrade Lima. Nas paredes internas e na galeria lateral lápides informam os remanescentes da ilustre família. O telhado de barro e as beiras que complementava a paisagem da capela foram retiradas numa das suas reformas quando a coberta de cerâmica também saiu. Outras alterações foram feitas, como por exemplo o acesso ao coro, que outrora era feita por fora, pela galeria, hoje é feito por dentro do templo. Os nichos do interior revelam uma intervenção em 1948, juntamente ao altar-mor, o que pela estrutura da capela podem ter sido de madeira inclusive forrada e com um púlpito lateral. Quando a capela de São Severino de Estivas foi derrubada o santuário foi levado para Patos e de lá para a matriz de São Vicente, isto na década de 1940. Usavam o espaço os trabalhadores do engenho, as senhoras e os passageiros que utilizam as estradas vicinais para atingir seus objetivos, o comércio.
No século 20 e 21 o uso daquele espaço é ocupado sempre aos primeiros sábados do mês e exclusivamente no mês de maio com as festejadas noites marianas. Em março no dia 18 a imagem do padroeiro de Siriji sobre para a capela, de onde em procissão no dia 19 desce para a capela de São José na povoação de São José do Siriji. Desse evento tradicional que já vem se consolidando a mais de 80 anos, a população circunvizinha participa.


