Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

Roteiro Episódio 10

🎧 Episódio: Mestra Cristiane Mota — Quando o ensino vira batuque e a poesia encontra o maracatu

Resumo

Entre versos e alfaias, nasce a história de Mestra Cristiane Mota, professora, poeta e mestra de maracatu da cidade de Vicência, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Neste episódio, o Podcast Nossa História, Nossa Memória conduzido por Josi Marinho mergulha na trajetória dessa mulher que une educação e tradição como formas de libertação e identidade.

Crescida na zona rural, Cristiane teve a infância marcada pelas cantorias de viola do pai, que despertaram nela o gosto pela poesia e pela oralidade.
Com o tempo, essa herança se tornou base para um projeto pedagógico único: o Maracatu Infantil Estrela da Jaci, criado dentro da escola onde leciona.
Hoje, ela é também mestra do Maracatu Coração Nazareno, um cortejo formado só por mulheres — símbolo de resistência em um universo historicamente masculino.

Entre versos rimados, batuques e lições de vida, Cristiane mostra como o ensino pode ecoar no som do tambor e como a cultura popular é, também, uma sala de aula viva que ensina liberdade, coragem e pertencimento.


Entrevista com Mestra Cristiane Mota

[Trilha de abertura – som de alfaias, triângulos e vozes de crianças entoando versos de maracatu]

JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está começando mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que conta as histórias e celebra as mulheres que mantêm viva a cultura pernambucana.
Hoje, a gente viaja até Vicência, na Zona da Mata Norte, pra conhecer uma mulher que transformou o maracatu em ferramenta de ensino e de resistência.
Nossa convidada é Mestra Cristiane Mota, professora, poeta e liderança cultural.

[Trilha sobe e desce suavemente – som de viola ao fundo]

JOSI MARINHO:
Cristiane, seja bem-vinda.
Conta pra gente como começou essa tua relação com a poesia, a educação e o maracatu.

MESTRA CRISTIANE MOTA:
Obrigada, Josi.
Eu venho de uma família simples, do sítio mesmo.
Meu pai era cantador de viola, e desde menina eu ouvia aquelas rimas, os desafios, as métricas.
Aquela musicalidade foi me ensinando a pensar o mundo em versos.
Mais tarde, quando comecei a dar aula, percebi que a cultura popular podia entrar na escola e fazer parte do aprendizado das crianças.

JOSI MARINHO:
E dessa percepção nasceu o Maracatu Infantil Estrela da Jaci, não foi?
Como foi levar o maracatu para dentro da sala de aula?

MESTRA CRISTIANE MOTA:
Sim!
Foi uma forma de aproximar as crianças da nossa própria história.
A escola é um espaço de conhecimento, mas o maracatu também é.
A gente começou com poucos instrumentos, depois vieram as lanças, os versos e as fantasias.
Hoje, o Estrela da Jaci é um cortejo de infância e ancestralidade, um aprendizado que vem do corpo e da alma.

[Som ambiente – batidas leves de alfaias e risadas infantis]

JOSI MARINHO:
E você, como mulher, enfrentou muitos desafios pra ocupar o papel de mestra num espaço tão dominado por homens, o maracatu rural.
Como foi viver isso?

MESTRA CRISTIANE MOTA:
Foi e ainda é um grande desafio.
Ser mulher e ser mestra é quebrar um silêncio antigo.
No início, muitos estranhavam, questionavam se eu tinha “voz de comando”.
Mas com o tempo o respeito veio, e hoje as mulheres do maracatu têm o seu espaço, tocam, cantam e ensinam.
O Coração Nazareno, nosso grupo feminino, é prova viva disso.

JOSI MARINHO:
O Coração Nazareno é um grupo totalmente formado por mulheres.
O que ele representa pra você?

MESTRA CRISTIANE MOTA:
Representa o amor e a força.
Cada toque, cada canto é um grito de liberdade.
É mostrar que o maracatu também é um território feminino, feito de coragem, fé e resistência.

[Trilha suave – som de voz feminina declamando versos rimados]

JOSI MARINHO:
Você costuma dizer que a educação e o maracatu se complementam.
Como essa fusão acontece na sua prática como professora?

MESTRA CRISTIANE MOTA:
A cultura popular é uma sala de aula viva.
Ela ensina história, ritmo, coletividade, respeito.
Quando a gente coloca o maracatu dentro da escola, a criança entende que aprender não é só decorar — é viver a própria cultura.
E quando a gente aprende a valorizar o que é nosso, aprende também a se respeitar.

[Trilha sobe – alfaias e vozes femininas em coro]

JOSI MARINHO:
Cristiane, que fala linda e inspiradora.
Muito obrigada por dividir conosco essa história que mistura verso, ensino e resistência.

MESTRA CRISTIANE MOTA:
Obrigada, Josi.
A cultura é o que nos mantém de pé.
E cada mulher que canta, ensina ou toca, faz o maracatu continuar vivo.

[Trilha final – batida de alfaias e coro de crianças: “Salve o maracatu!”]

JOSI MARINHO:
E assim a gente encerra mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória.
Se você gostou, compartilhe o episódio e siga o nosso podcast nas redes sociais.
Até o próximo encontro com mais histórias que ecoam os sons e as memórias da Zona da Mata!

[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]

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