Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

Roteiro episódio 15

🎧 Episódio: Ester Liu — Escrever é resistir: a palavra como abrigo e revolução

Resumo

Das ruas e lembranças de Carpina, na Zona da Mata Norte, surge a voz literária de Ester Liu, escritora, poeta e cronista do cotidiano, cuja obra transforma o gesto íntimo da escrita em resistência coletiva.

 Neste episódio, a jornalista Josi Marinho conversa com Ester sobre a construção de uma escrita que nasceu em silêncio, ainda na infância, e amadureceu como ferramenta de expressão e consciência.

Primeira mulher a vencer o Prêmio Pernambuco de Literatura, em 2017, Ester reflete sobre o ato de escrever como movimento político e feminista, capaz de questionar, curar e reinventar o olhar sobre o mundo.

 Entre memórias, afetos e observações sobre o corpo e a mulher do interior, ela fala sobre o poder da literatura em criar espaços de pertencimento e inspira outras mulheres a escreverem sem medo.

Para Ester, cada texto é um espelho do vivido — e cada palavra escrita, um ato de liberdade.


🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Ester Liu

[Trilha de abertura – som de máquina de escrever, páginas virando e voz suave recitando um verso]

JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está no ar mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que preserva as vozes, os afetos e as tradições da cultura pernambucana.
Hoje, o episódio é dedicado à palavra.
A palavra como memória, como espelho e como revolução.
A gente conversa com a escritora Ester Liu, poeta, contista e cronista do cotidiano, natural de Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

[Trilha sobe levemente – som de escrita à caneta e papel sendo dobrado]

JOSI MARINHO:
Ester, é uma alegria te receber aqui.
Quero começar te perguntando: quando é que a escrita começou a fazer parte da tua vida?

ESTER LIU:
Obrigada, Josi.
A escrita chegou devagarinho, sem que eu percebesse.
Desde criança, eu escrevia, mas escrevia pra mim.
Eram anotações, pensamentos, pequenas histórias que eu não mostrava a ninguém.
Com o tempo, entendi que escrever era também uma forma de existir, de respirar e de me comunicar com o mundo.

JOSI MARINHO:
E dessa escrita silenciosa, você chegou a grandes conquistas, como ser a primeira mulher a vencer o Prêmio Pernambuco de Literatura, em 2017.
O que essa vitória representou pra você e pra outras mulheres escritoras?

ESTER LIU:
Foi um marco importante, Josi.
Mas mais do que um prêmio, foi um ato simbólico de reconhecimento.
A literatura sempre teve muitas vozes femininas, mas poucas foram ouvidas.
Vencer o prêmio foi abrir uma porta — e mostrar que a mulher da Zona da Mata, a mulher do interior, também escreve, também pensa e também transforma.

[Trilha suave – som de vento e folhas sendo folheadas]

JOSI MARINHO:
Sua escrita é muito marcada pela presença do corpo, da memória e dos afetos.
Você costuma dizer que escrever é um ato político e feminista.
O que isso significa pra você?

ESTER LIU:
Significa reconhecer que toda vez que uma mulher escreve, ela está rompendo um silêncio histórico.
O corpo feminino sempre foi narrado por outros — homens, instituições, tradições.
Quando a gente escreve sobre o próprio corpo, sobre o que sente e o que vive, a gente recupera o direito de se narrar.
É um gesto de coragem e também de cura.

JOSI MARINHO:
E nas tuas crônicas e poemas, há uma presença muito forte da mulher do interior, da Zona da Mata, da casa, da rua, do cotidiano.
De onde vem essa inspiração?

ESTER LIU:
Vem das pequenas coisas, sabe?
Do cheiro do café, do barulho do trem, da vizinha que conta a mesma história todo dia.
A literatura, pra mim, é isso: transformar o comum em poesia.
A mulher do interior tem uma força enorme — ela sustenta a vida, mas também carrega dores que raramente são ditas.
Eu escrevo pra dar voz a essas mulheres.

[Som ambiente – canto de pássaros, passos em chão de barro]

JOSI MARINHO:
Pra encerrar, Ester, que conselho você deixaria pra mulheres que escrevem, mas ainda guardam seus textos por timidez?

ESTER LIU:
Eu diria: não esperem o momento perfeito.
Escrevam com o que têm, com o que sentem, com o que dói.
A escrita não precisa ser bonita, precisa ser verdadeira.
E lembrem-se: cada palavra é um ato de resistência — e nenhuma história é pequena demais pra ser contada.

[Trilha final – som de máquina de escrever e voz feminina declamando: “Escrever é respirar no papel.”]

JOSI MARINHO:
Que mensagem linda, Ester.
Muito obrigada por compartilhar sua trajetória, sua poesia e sua visão tão potente sobre a escrita e o feminino.
E a você, ouvinte, que nos acompanha, continue conosco celebrando as vozes que fazem da palavra um instrumento de transformação.

[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]

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