Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

Roteiro Episódio 7

🎧 Episódio: Zita Barbosa — Sabores, memórias e resistências no coração de Lagoa do Carro

Resumo

Neste episódio, o Nossa História, Nossa Memória recebe Zita Barbosa, socióloga, produtora cultural e mestra dos Sabores de Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.


Em uma conversa conduzida por Josi Marinho, Zita compartilha sua trajetória na culinária tradicional pernambucana, com destaque para os bolos Souza Leão e de rolo — símbolos da doçaria afetiva e da memória popular do estado.

Além da gastronomia, Zita fala sobre sua atuação à frente do Semu – Centro das Mulheres de Lagoa do Carro, organização que promove transformação social, empoderamento feminino e geração de renda por meio de oficinas de cultura, memória e gastronomia.


O episódio mostra como a cozinha pode ser um espaço de resistência política, amor e autonomia para mulheres que reinventam suas vidas através dos sabores e saberes locais.


Entrevista com Zita Barbosa

[Trilha de abertura – som de pilão, panela e sanfona suave, evocando o interior de Pernambuco]

JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Está no ar mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que celebra o patrimônio imaterial e as vozes que fazem a cultura pulsar em Pernambuco.
Hoje, o nosso papo é com uma mulher que mistura sabedoria, afeto e resistência em cada receita que prepara.
Ela é Zita Barbosa, socióloga, produtora cultural e mestra dos Sabores de Lagoa do Carro.

[Trilha sobe e desce lentamente – som de forno abrindo e riso suave]

JOSI MARINHO:
Zita, que alegria ter você aqui com a gente.
Pra começar, conta pra gente: como foi que a culinária entrou na sua vida?

ZITA BARBOSA:
Ah, Josi, a cozinha sempre foi meu lugar de memória e de luta.
Eu aprendi a cozinhar com minha mãe e minha avó. Desde pequena, observava aquele movimento: o cheiro do bolo Souza Leão saindo do forno, a canela, o coco ralado…
Era ali que a gente aprendia o valor do tempo, do cuidado e do amor.

JOSI MARINHO:
Você se tornou referência na culinária tradicional de Pernambuco, especialmente com os bolos Souza Leão e de rolo.
O que esses sabores representam pra você?

ZITA BARBOSA:
Pra mim, eles são mais do que receitas.
São um patrimônio vivo do nosso povo.
Cada bolo que a gente faz carrega uma história — de engenho, de resistência, de mulheres que sustentaram famílias com o que sabiam fazer de melhor: cozinhar.

[Som ambiente de colher mexendo panela – trilha leve de cordas]

JOSI MARINHO:
Além da gastronomia, você também coordena o Semu – Centro das Mulheres de Lagoa do Carro, um espaço de acolhimento e formação.
Como surgiu essa iniciativa?

ZITA BARBOSA:
O Semu nasceu da necessidade de transformar dor em força.
A gente começou com pequenas reuniões de mulheres que viviam situações de violência doméstica.
E, com o tempo, percebemos que ensinar um ofício podia ser uma forma de devolver autonomia e esperança.
Hoje, as oficinas de culinária, artesanato e memória ajudam essas mulheres a recomeçar — a se verem como sujeitas da própria história.

JOSI MARINHO:
É muito bonito perceber como a cozinha também pode ser um espaço de resistência política.
Você costuma dizer que cada receita tem uma história e um gesto político, não é?

ZITA BARBOSA:
Sim, Josi.
Quando uma mulher decide viver daquilo que ela faz, quando coloca a mão na massa e se sustenta com o próprio trabalho, ela está fazendo política.
O bolo, a cocada, o doce de leite… são ferramentas de liberdade e afeto.
É um jeito de dizer: “eu posso, eu sei, eu sou capaz.”

[Trilha emocional – acordeons e tambores ao fundo]

JOSI MARINHO:
Zita, seu trabalho inspira muitas pessoas.
O que você diria hoje para as mulheres que estão ouvindo a gente e querem mudar suas vidas?

ZITA BARBOSA:
Eu diria pra acreditarem no próprio talento.
Comecem com o que têm.
Um fogão simples, uma colher de pau, um sonho.
Porque quando a gente acredita e compartilha o que sabe, o mundo muda à nossa volta.

[Trilha sobe – som de panela tampando, seguido de risada de Zita]

JOSI MARINHO:
E que lição linda pra gente encerrar.
Zita, muito obrigada por dividir seus saberes, seus sabores e sua história com a gente.

ZITA BARBOSA:
Obrigada, Josi. É sempre uma alegria falar de amor, comida e resistência.

[Trilha final – mistura de zabumba, pandeiro e sanfona, encerrando em fade out]

JOSI MARINHO:
E assim a gente encerra mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória.
Se você gostou, compartilhe este episódio e siga o nosso podcast nas redes sociais.
Até a próxima, com mais histórias que alimentam o corpo, o coração e a memória!

[Vinheta de encerramento – assinatura sonora do podcast]

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