🎧 Episódio: Mery Lemos — Da Zona da Mata para o mundo: o cinema e a cultura como pontes de memória
Resumo
Neste episódio do Nossa História, Nossa Memória, a jornalista Josi Marinho conversa com Rosiméri de Lemos Sabino, mais conhecida como Mery Lemos — produtora cultural, gestora de projetos e realizadora audiovisual nascida em Carpina, coração da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Com mais de vinte anos de atuação na cena cultural pernambucana, Mery é uma das principais articuladoras da região, conectando o território canavieiro às linguagens do cinema, da música e da formação artística.
Sua trajetória reflete o papel essencial das mulheres na preservação e reinvenção do patrimônio cultural da Zona da Mata, especialmente ao promover ações de intercâmbio cultural, oficinas e mostras que aproximam comunidades locais da produção audiovisual independente.
Entre suas criações estão o Engenho de Imagens e a Mostra Canavial de Cinema, projetos que ampliam o olhar sobre o interior de Pernambuco e colocam Carpina no mapa das produções culturais brasileiras.
Na entrevista, Mery fala sobre sua formação, os desafios de produzir fora dos grandes centros, a força do trabalho coletivo e a importância de transformar a memória da Mata Norte em imagem, som e movimento.
🎙️ Podcast Nossa História, Nossa Memória – Entrevista com Mery Lemos
[Trilha de abertura – som de projeção de cinema, alfaias e murmúrio de público em festival de interior]
JOSI MARINHO:
Olá, ouvintes! Bem-vindos a mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória, o podcast que preserva as vozes e as histórias da cultura pernambucana.
Hoje, nossa convidada é uma mulher que faz da arte um instrumento de transformação.
Ela é Mery Lemos, produtora cultural, gestora de projetos e realizadora audiovisual.
De Carpina para o mundo, Mery construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a memória, o cinema e o fortalecimento da cultura popular da Zona da Mata Norte.
[Trilha sobe e desce suavemente – som de rolo de filme rodando]
JOSI MARINHO:
Mery, é uma alegria te receber aqui.
Conta pra gente: como começou a tua relação com a produção cultural e o cinema?
MERY LEMOS:
Obrigada, Josi. É um prazer enorme participar do Nossa História, Nossa Memória.
Eu comecei bem jovem, ainda em Carpina, participando de grupos culturais e eventos locais.
No início, eu só queria ajudar, organizar, contribuir.
Mas, com o tempo, fui percebendo que aquilo era mais do que um trabalho — era um chamado.
A cultura sempre foi uma forma de resistência e expressão da nossa região.
JOSI MARINHO:
Você tem mais de vinte anos de atuação no cenário cultural, passando por projetos em diferentes áreas, da música ao audiovisual.
O que te move a seguir produzindo e conectando tantas linguagens?
MERY LEMOS:
O que me move é o amor pela nossa terra.
Eu sempre quis que a Zona da Mata fosse reconhecida não só pelos engenhos, mas também pela potência criativa do seu povo.
Trabalhar com música, cinema e formação é um jeito de devolver à comunidade o que ela me ensinou.
Eu acredito que cada projeto é um elo de continuidade — uma semente que a gente planta pra que outras gerações floresçam.
[Som de cliques de câmera e passos sobre folhas secas – atmosfera de campo e criação]
JOSI MARINHO:
Entre essas sementes estão o Engenho de Imagens e a Mostra Canavial de Cinema, iniciativas que marcaram a produção audiovisual da região.
Como nasceram esses projetos?
MERY LEMOS:
O Engenho de Imagens nasceu do desejo de formar olhares.
Era preciso mostrar que o cinema podia contar as histórias do nosso cotidiano — das ruas, dos engenhos, das feiras e dos quintais.
Já a Mostra Canavial de Cinema veio como um espaço de encontro.
Um lugar pra exibir filmes, debater, mas também celebrar o nosso modo de viver.
E ver Carpina ser projetada na tela é uma emoção sem tamanho.
JOSI MARINHO:
Você também é conhecida por promover intercâmbios culturais, levando artistas e realizadores da Zona da Mata para dialogar com o Brasil e o mundo.
Como esses encontros ajudam a fortalecer a identidade local?
MERY LEMOS:
Os intercâmbios mostram que a cultura da Zona da Mata tem voz e tem valor universal.
Quando a gente leva um filme, uma banda ou uma exposição pra outros lugares, estamos dizendo: “nós existimos, temos histórias pra contar.”
Essas trocas também fazem o caminho inverso — trazem novas experiências que enriquecem o nosso fazer cultural.
[Trilha leve de violão e sopros – clima de reflexão]
JOSI MARINHO:
Produzir cultura fora da capital ainda é um desafio.
Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou ao longo da trajetória?
MERY LEMOS:
Sem dúvida, a falta de estrutura e de reconhecimento.
Muitas vezes a gente precisa fazer tudo — pensar, produzir, divulgar, executar.
Mas é justamente essa realidade que faz nascer a criatividade.
A gente aprende a fazer com o que tem, e isso é a essência da produção independente.
JOSI MARINHO:
E o que Carpina representa no teu trabalho e nas tuas criações audiovisuais?
MERY LEMOS:
Carpina é o meu ponto de partida e de chegada.
Tudo que eu produzo tem um pouco dessa cidade.
As pessoas, as ruas, os sotaques, os gestos.
Carpina é cenário, é personagem, é inspiração.
O cinema, pra mim, é um espelho — e nesse espelho sempre se reflete a Zona da Mata.
[Trilha final – som de cinema se apagando, risos e palmas de público]
JOSI MARINHO:
Mery, é inspirador ouvir tua trajetória e entender como o cinema e a cultura podem transformar o território em memória viva.
Obrigada por compartilhar tua história e tua paixão com a gente.
MERY LEMOS:
Obrigada, Josi. Falar da Zona da Mata é sempre falar de amor, de resistência e de criação.
É isso que me move todos os dias.
[Trilha de encerramento – mistura de batuques, sopros e som de câmera fotográfica]
JOSI MARINHO:
E assim a gente encerra mais um episódio do Nossa História, Nossa Memória.
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Até o próximo episódio!
[Vinheta final – assinatura sonora do podcast]


