Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

A ESTIMADA GENTE DA GOIANA GRANDE E SEU INSTITUTO HISTÓRICO

O surgimento dos institutos históricos no Brasil refletem um costume muito em voga noutros países da europa ligados à preservação da sua memória. A história das cidades e dos eventos ocorridos nesse território provocaram intelectuais e viajantes para construir um lugar que pudesse funcionar como uma referência para a história da nação, foi uma maneira de consolidar os interesses da burguesia. Essas instituições procuram dar conta da história do país, do estado e do município. No nosso país, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil no Rio de Janeiro, que desde o período regencial vem moldando a história do Brasil, foi e continua na laboriosa atividade de criar uma história convincente para a pátria. No Estado de Pernambuco o Instituto Histórico Geográfico e Arqueológico assumiu a missão de realizar o levantamento histórico da antiga província e depois, já na república, consolidar História do Estado de Pernambuco e fortalecer a visão nacionalista discorrendo uma história dos notáveis. No campo dos municípios, o Instituto Histórico Arqueológico e Geográfico de Goiana é o mais antigo do Brasil, fundado em 1870, período de ampla discussão sobre a identidade nacional surge para louvar os feitos e nomes da velha cidade da gente estimada. O posicionamento de Goiana como uma cidade importante é um ponto de grande relevância. Ao longo do período colonial foi nucleada na Capitania de Itamaracá dividindo com a cidade de Igarassu o status de pontos administrativos; No período imperial o baronato maturo centrou-se nas alianças e acordos de negociações e conflitos e cresceu consideravelmente por conta do seu porto. Quando a expansão ferroviária atingiu a região norte da antiga província a cidade de Goiana foi contemplada com uma ferrovia, mas investiu na construção de um porto para melhor escoar seus produtos levando em consideração o volume de produtos que chegavam dos sertões para as feiras daquela cidade. 

Diante de tanto crescimento do ponto de vista econômico, territorial e do poder a existência de um Instituto confirmaria a cidade como uma referência na região, é como se ela mesma se encerrasse em si todas as glórias e histórias e no contexto da significação de uma instituição desse porte é como as comunidades adjacentes olhasse para ela como um modelo de história a ser imitado. O Instituto não mede esforços para se afirmar e de puxar para si essa referência, de modo que outras localidades da Mata Norte também iniciarão trabalhos com a perspectivas de disputas dessas narrativas. O poder que Goiana afirma que tem a partir do IHAGGO passa a compartilhar com outras a experiência de ser uma cidade notável.

Preservar a memória oficial sempre concentrou os esforços da instituição, recentemente reaberto o IHAGGO assumiu outra missão, a de contar a história das pessoas, das ruas, dos sujeitos e sujeitas comuns. Isso porque o leque de sócios aumentou e os lugares sociais desses sócios se colocaram na construção de uma nova história, apesar de tímida, que olha para os sujeitos silenciados pelo tempo.

Em 2017, em 2021 e em 2024, o Instituto envolveu-se nas atividades alusivas aos movimentos liberais que marcaram o século XIX e fez expediente comemorativos dos 200 anos da Revolução Pernambucana, depois o expediente dos 200 anos da revolução de Goiana em 1821 e por último os 200 anos da confederação do Equador. Em todos esse momentos os recortes históricos deram conta da grandeza da história nacional mas também revelaram as particularidade e a diversidade dos sujeitos e sujeitas que participaram das ações. 

No cenário regional o Instituto de Goiana vem celebrando boas ações com vistas para o patrimônio da cidade e colaborando diretamente com atividades similares nos outros municípios. Esse fortalecimento da memória como um direito caracteriza em formato de atividades nas localidades também serve para refletir sobre quem pode escrever a história do seu lugar. Se no passado os Institutos ocupavam completamente esses lugares – ainda ocupam, não vamos ser ingênuos – hoje os novos atores sociais ampliam mais ainda as discussões. Que os institutos de memória sirvam ao povo e a preservação dessas outras narrativa. 

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