Nossa história, Nossa memória

O Podcast é um projeto documental, que usa técnicas de linguagem radiofônica, internet e de jornalismo cultural, biográfico e literário, con na proteção, preservação, conservação e salvaguarda dos Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais da região da Zona da Mata de Pernambuco, em suas diversas linguagens

QUANTO JORNAIS? A ATUAÇÃO DA IMPRENSA NA REGIÃO DA MARTA NORTE.

Em 1908 um jornal dava notícias sobre a visita de Antônio Silvino ao Carnaval da pequena vila de Vicência, naquele momento pertencente ao município de Nazaré da Mata. O Jornal, o Tubiba, era uma espécie de folhetim carnavalesco com objetivo de noticiar as atividades da localidade e consolidar a entrada desses territórios na vida moderna dos impressos. Além de noticiar o processo de Antônio Silvino e outros cangaceiros em organização pela Rua da Areia, o documento anunciava bebidas, remédios e eventuais atividades. 

Naquele momento outros jornais também publicavam a vida em transformação nas antigas vilas do açúcar com as recentes mudanças no meio de produção, na relação do trabalho no pós-abolição. Quando o Tubiba foi lançado havia apenas 20 anos da abolição e evidentemente os ecos da liberdade demoraram chegar nestas localidades privando o domínio da escrita a apenas um grupo social privilegiado que fez dos jornais a vitrine da elite social das velhas casas-grandes e das usinas de açúcar que teimavam manterem-se de pé. As estruturas sociais usaram bastante esse recurso para expressar o poder e a ideia de civilização propagandeando desde os nascimentos até os casos mais privados do cotidiano no interior como um o acoitamento dos cangaceiros. Como no Tubiba outros jornais passaram a documentar a vida social desses interiores. Marcará muito a antiga Vila da Vicência com os escândalos sociais e propaganda das lojas e suas sortitudes de produtos. Em nazaré da Mata, antiga Lagoa das Antas ou como se publicou por muito tempo Nazareth o jornal mais conhecido foi a Gazeta de Nazaré que também era correspondente do Diário de Pernambuco. Localmente conseguia abranger um conjunto de notícias sobre o que acontecia na cidade e publicava artigos de fora. Uma característica marcante desses jornais e de suas edições é o alinhamento contrário a ideias socialistas. Na Gazeta de Nazareth fica muito visível o papel da imprensa em orientar a população leitora a caminhar com o pensamento fascista que se publicava copiando as missivas que chegavam do interior. As notas contra o “comunismo” e a educação eram frequentes na escrita desses jornais. 

Na terra do Maracatu circulou o jornal sobre as domésticas, era uma publicação simples mas de impacto porque era a voz da trabalhadora do lar que começava a ecoar nas vias públicas demonstrando certo descolamento das ideias que os jornais maiores queriam imprimir. Ainda na cidade de Vicência circularam o jornal O Ideal, de 1932, com vasta lista de assinantes e que deu oportunidade para a escrita de mulheres, como é o caso de Mirtô, nome oculto de Josefa Guedes de Vasconcelos. Cabe lembrar o estilo da escrita do Ideal: era bastante agressivo e tinha muito ataque ao município de Vicência e ao governo do Estado, ações fáceis de compreender quando nos aproximamos da história do periódico e seu colaborador mais ilustre, o Coronel Joaquim Correia, mais estimado e tratado como Doutor pelo seu bacharelado na Faculdade de Direito de Recife. A Ideia, que era um jornal de humor e também dava notícias editado por Israel Fonseca e Antônio de Oliveira Lira, também marcou tempo na antiga vila. No município da Aliança, que já pertenceu a Nazaré da Mata, publicava-se nos idos de 1926 o mensário“O Espelho” editado por Manuel Gomes Maranhão e comercializado a 3$000 (Três Mil Réis). Ele era impresso em Recife porque no interior não existia prensa. Foram apenas 10 edições com vida breve encerrando-se em 1927. Ainda na Aliança o jornal Lapa-Chic publicava pandeguices, seu caráter humorístico para falar de coisas cotidianas circulou durante a juventude do município em 1934. Esses jornais passaram a homenagear nas suas edições o presidente da república da época, Getúlio Vargas. Os jornais fazem parte do que tratamos de patrimônio, muitos periódicos resguardam os cotidianos das localidades já citadas e de outras regiões também. No mundo dos blogs e dos twitters de abordagens curtas, os jornais locais moldaram o pensamento dos leitores locais.

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